Cabotagem e o serviço porta a porta

Nível de pontualidade chega a 95%

Marcus Voloch (*)

Nada mais natural do que utilizar o modal marítimo em um país de dimensões continentais como o Brasil, com mais de 7.400 km de litoral e 80% da população vivendo a 200 km da costa. Embora ainda haja domínio da cultura “rodoviarista”, dados de mercado indicam uma retomada na utilização das ferrovias e um crescimento importante da cabotagem.

Desde o chamado “renascimento” da cabotagem de contêineres, em 1999, o setor vem conquistando cada vez mais espaço na matriz de transportes brasileira, apesar de o modal rodoviário ainda representar 67% dessa matriz.

O Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) estimou, em 2015, com base em pesquisas, que para cada contêiner transportado pela cabotagem, ainda existem 6,5 com potencial para migrar das rodovias para os navios. Em períodos de crise, acentua-se nas empresas a necessidade de redução de custos, na constante busca por eficiência. No ano passado, cerca de 450.000 TEUs foram transportados via cabotagem.

Com base no crescimento dos últimos anos e nesse potencial de migração, investimentos importantes vêm sendo realizados pelos armadores presentes no setor. A Aliança, líder deste mercado no Brasil, investiu R$ 700 milhões em seis novos navios, projetados especialmente para o tráfego em águas brasileiras, cujas características dos portos, canais de navegação e rios são peculiares.

O modal marítimo vem conquistando espaço na cadeia de suprimentos de clientes dos mais variados segmentos da nossa economia, desde o automotivo e duas rodas, até higiene e limpeza, passando por material de construção, químicos e resinas, siderurgia e mineração, bens de consumo, entre outros. Naturalmente, cada um desses segmentos tem suas demandas e necessidades específicas, exigindo atendimento e níveis de serviço personalizados.

Para atender a essas demandas, a Aliança dispõe de equipes dedicadas que cobrem boa parte do território nacional, assim como sistemas desenvolvidos sob medida para as particularidades da cabotagem, integrando todas as peças da cadeia do transporte multimodal. Cerca de 70% de todo o volume transportado pela Aliança é na modalidade “Porta”, ou seja, a empresa gerencia o fluxo de transporte desde a fábrica do embarcador até a entrega ao destinatário final. O índice de pontualidade nessas entregas e coletas supera os 95%, na média nacional.

Dados como esses demonstram que o investimento em treinamento do time dedicado, o constante desenvolvimento dos sistemas de informação e a frota de navios moderna e eficiente vêm sendo reconhecidos pelos clientes, que podem contar com a agilidade, confiabilidade e regularidade do transporte por cabotagem. Muitos desafios ainda existem, sendo um dos principais a baixa disseminação e conhecimento acerca da própria cabotagem.

Esse tipo de transporte acaba por exigir das empresas um pouco mais de planejamento em sua cadeia: ao passo que o caminhão está a algumas horas de distância, o navio passa pelo porto uma vez por semana; em alguns casos, duas vezes por semana. Nesse sentido, a cadeia logística precisa estar preparada para essa frequência e o transit-time um pouco mais extenso do que o transporte rodoviário. Esses fatores, porém, são compensados pelo custo mais baixo, além da segurança, integridade e confiabilidade proporcionados pelo modal marítimo.

Com os devidos ajustes e contas, as empresas acabam por encontrar um equilíbrio saudável entre cabotagem e rodoviário, utilizando as vantagens que existem nos dois modais de maneira racional e sustentável.

A cabotagem promove uma verdadeira integração dos modais, buscando economia e eficiência: utilizamos caminhões nas pontas de curta distância, onde eles são mais eficientes; utilizamos a ferrovia, onde possível, nos transportes de média distância, principalmente no eixo oeste-leste, do interior para o litoral e, finalmente, os navios no eixo norte-sul, onde a eficiência do transporte marítimo é imbatível.

 (*) Marcus Voloch é gerente geral de Mercosul e Cabotagem da Aliança Navegação e Logística



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Opinião

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