Compliance e a percepção da corrupção no Brasil

Ambiente regulatório em constante mudança e expansão do escopo de atividades empresariais pressionam profissionais a adotar melhores práticas

* por Victor Paschoal

A insatisfação decorrente da má gestão de empresas e governos, principalmente, relacionada à falta de implantação e controle de processos anticorrupção, aflige países do mundo inteiro. No Brasil, a discussão entrou definitivamente na pauta das empresas após a enorme repercussão das atuais investigações que deflagraram diversos esquemas envolvendo políticos e executivos do alto escalão.

Não por acaso, atualmente, o Brasil figura na 76ª posição num ranking de 168 países onde há mais percepção da corrupção, perdendo para nações como Panamá (72º), Grécia (58ª) e Itália (61ª). Entre os países com baixa percepção da corrupção estão Estados Unidos (16º), Reino Unido (10º) e Dinamarca (1º). O relatório de 2016 é da Transparency International, organização não-governamental que tem como principal objetivo erradicar a corrupção no mundo.

Para discutir o assunto, a FTI Consulting, consultoria empresarial global dedicada a auxiliar organizações a proteger e aumentar os seus valores, patrocinou o 4th Annual Advanced Anti-bribery Bootcamp Brazil, evento idealizado e organizado por Chediak Advogados e coordenado por Rafael Mendes Gomes, sócio responsável pela área de Compliance e Anticorrupção do escritório. O evento focou em divulgar as melhores práticas para desenvolvimento e implantação de programas efetivos de Compliance, de acordo com leis e regulamentos nacionais e internacionais (FCPA, UKBA, Lei Anticorrupção Brasileira, entre outros).

O workshop, realizado nos dias 6 e 7 de outubro, no Casa Grande Hotel Resort & Spa no Guarujá/SP, reuniu mais de 20 profissionais em busca de atualização sobre aplicação de controles e mitigação de fraudes e subornos nas corporações. Empresas nacionais e multinacionais líderes dos setores de TI, varejo de alimento e eletrônico, health care, real estate, logística, tecnologia, consultorias, escritórios de advocacia, energia e outros participaram do evento. Durante dois dias, especialistas em Compliance fizeram a moderação de apresentações práticas e teóricas referentes à avaliação de risco antissuborno, programas de revisão, investigação interna, como responder a questionamentos de autoridades responsáveis e outros desafios relacionados.

Na oportunidade, Cynthia Catlett, Managing Director da FTI Consulting, uma das especialistas do workshop, abordou assuntos relacionados à investigação interna, como fazer interação com funcionários, entrevista com testemunhas e construção de um plano de investigação. Ela também explicou a importância dos processos e controles internos, detalhando diferenças e usos para avaliação e auditoria.

“Além de o profissional participar de sessões interativas, com estudos de casos exclusivos sobre as melhores práticas anticorrupção, esta é uma oportunidade de fazer networking com experts do ramo”, disse Cynthia. “Empresas do mundo todo estão enfrentando uma verdadeira revolução em relação à governança, porém, o empresariado ainda precisa ser educado sobre os diversos mecanismos e diretrizes de Compliance”.

O assunto, em destaque no Brasil depois de uma série de escândalos, tem despertado o interesse dos profissionais. “Cada vez mais empresas e executivos se interessam pela implantação de sistemas e procedimentos de integridade eficientes”, explicou Gomes. “As organizações ainda têm dúvidas do que deve constar num programa de Compliance, em razão da recente disseminação do conceito no Brasil, e que tem as suas diretrizes inspiradas, em sua maioria, nas estratégias já consolidadas em outros países”.



* Victor Paschoal, Consultant – Strategic Communications da FTI Consulting

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Opinião

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