...e que venha 2017!!!

Afinal, mudanças favorecem mentes preparadas

Tenho ouvido muitas definições para o ano de 2016, desde as mais divertidas até as mais cordatas, porém o que ninguém pode dizer é que 2016 esteja sendo um ano tranquilo. Na minha opinião, a palavra que melhor define esse ano: INTENSO!

Somente aqui no Brasil, entre muitos outros acontecimentos relevantes, vivemos o surto de microcefalia, a intensificação das manifestações populares, dezenas de etapas da operação Lava-Jato, o impeachment da Presidente, a separação de Willian Bonner e Fátima Bernardes, a prisão do "Japonês da Federal", os problemas de Neymar com a justiça, a cassação e prisão do poderoso presidente da Câmara, os shows de Rolling Stones, Iron Maiden, Guns N' Roses e Black Sabbath, a potencialização das Delações Premiadas, as mortes de Elke Maravilha, João Havelange, Carlos Alberto Torres, Domingos Montagner, Ferreira Gullar, além da celeuma entre o Presidente do Senado e o Judiciário e do catastrófico acidente com o avião da Chape.

Mas no resto do mundo, a intensidade dos acontecimentos não ficou para trás. Guerra na Síria, oscilações do Petróleo, atentados em Bruxelas e Nice, morte de milhares de refugiados no mediterrâneo, Brexit, separação de Angelina Jolie e Brad Pitt, grandes perdas, como David Bowie, Muhammad Ali e Fidel Castro, acordo de Paz na Colômbia, a desaceleração da economia chinesa, entrada em vigor do Acordo de Paris e a eleição de Donald Trump nos EUA, que fecha a lista com chave de ouro.

E em meio a tantos acontecimentos, nosso setor de transporte e logística definitivamente não se fez de rogado. Começamos o ano acompanhando dados da desaceleração do transporte marítimo, associada aos efeitos colaterais dos Big Vessels (overcapacity, queda e dos fretes, necessidade de readequação dos terminais etc). Depois, acompanhamos a divulgação dos prejuízos dos armadores que catalisaram o processo de fusões (Cosco/China Shipping, Hapag/UASC e KLine/MOL/NUK) e aquisições (APL/CMA-CGM e Hamburg Süd/Maersk), além de terem levado a Hanjin à falência.

Tivemos ainda, no cenário internacional, o lançamento do VGM, a inauguração do Novo Canal do Panamá, expansão do Canal de Suez, entre outros. Enquanto isso, aqui no Brasil, vimos a falta de interesse nos leilões de portos promovidos pelo governo, o incêndio no maior terminal ferroviário de Grãos do país, Greves de fiscais, a novela da dragagem do Porto de Santos, anúncios e medidas de foco em infraestrutura por parte do atual governo, entre outros temas. E tudo isso num ano em que, de acordo com a OMC, o Brasil foi o país que registrou o maior crescimento em volume das exportações (Brasil cresceu 12% enquanto o volume das exportações mundiais se manteve estável).

Ou seja, após tantas transformações e, por mais clichê que possa parecer, é possível dizer, sem medo de errar, que, após 2016, o setor de transporte e logística nunca mais será o mesmo – e muito provavelmente este ano será ser lembrado como aquele que marcou o início de uma nova era no setor de transporte de mercadorias.

Em linhas gerais muitas mudanças ainda estão por vir em nosso setor, na esteira da Consolidação dos Armadores, Big Vessels, Mega Alliances, Revolução 4.0, Big Data, Integração da Cadeia Logística etc. Tenho a impressão de que, em poucos anos, os processos de transporte de mercadorias serão muito mais digitalizados e integrados (desde o planejamento da produção até o consumidor) do que hoje podemos imaginar.

Falando mais especificamente sobre as perspectivas para o Brasil, nos últimos dias, tenho conversado com muitas pessoas de diferentes setores (exportadores, armadores, terminais portuários, fundos de investimentos, acadêmicos, entre outros), e entendo que exista um certo consenso de que:

• o câmbio deve continuar favorecendo o crescimento das exportações sendo que as importações já parecem ter deixado de cair;

• as exportações de carnes e grãos para a China tendem a continuar crescendo a despeito da desaceleração do crescimento da economia chinesa;

• apesar de o mercado ver com bons olhos os planos do atual governa para setor de infraestrutura, os acessos terrestres e marítimos aos portos continuarão sendo a grande preocupação do setor, já que o governo parece não conseguir dar a esse processo a velocidade que o mercado demanda e, principalmente, em razão do novo aprofundamento da crise política;

• os primeiros ajustes nos serviços oferecidos na costa brasileira (parceiros, rotação, terminais escalados etc), em razão da aquisição da Hamburg Süd pela Maersk, deverão começar a surgir já no 2º trimestre de 2017, começando pelo trade da Ásia;

• o futuro da Cabotagem no Brasil estará diretamente relacionado à avaliação, e aos eventuais "remédios", determinados pelo CADE no que tange à concentração de mercado gerada pela união das capacidades da Aliança (Hamburg Süd) e Mercosul Line (Maersk);

• alguns terminais portuários brasileiros especializados na movimentação de containers continuarão precisando buscar outras cargas (ex.: São Francisco do Sul), ou até mesmo encerrarão suas atividades, dada incompatibilidade com os novos padrões de navios operando na costa, e que tendem a crescer ainda mais em tamanho nos próximos anos.

Em outras palavras, seguramente teremos mais um ano agitado e repleto de mudanças pela frente. 

Gostaria de aproveitar para desejar a todos leitores e a equipe do Guia Marítimo um Feliz Natal repleto de Paz e Harmonia, além de um 2017 com muito Amor, Saúde, Coragem, Garra e Realizações!

Nota do Editor: Não perca esta e outras colaborações na Edição Especial Guia Marítimo | Perspectivas 2017

Escrito por:

Leandro Barreto

Administrador de empresas, especializado em economia internacional pela Universidade de Grenoble e em Inteligência Competitiva pela FEA/USP. Há mais de dez anos atuando no segmento, foi gerente de Inteligência de Mercado na Hamburg-Süd, professor pelo IBRAMERC e Diretor de Análises da Datamar Consulting. Atualmente, coordena projetos independentes de consultoria com forte atuação junto a armadores, autoridades portuárias, embarcadores e entidades públicas voltadas para o desenvolvimento do setor portuário.



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