MARITIME TREND REPORT 2018 - Digital 2030 vision

Solve Shipping Inteligence - Destaque do Mês

                                               

A Danish Ship Finance (instituição financeira com mais de US$ 6bi em carteira referente ao financiamento de 689 navios) e a Rainmaking (aceleradora de start-ups que já apoiou mais de 600 empresas de tecnologia) publicaram recentemente um relatório intitulado: MARITIME TREND REPORT 2018 - Digital 2030 vision;

O estudo identificou em todo o mundo 160 start-ups que estão trabalhando para criar novas fronteiras digitais no setor marítimo e, embora isso represente um risco para modelos de negócios tradicionais do setor, também podem significar uma tremenda oportunidade para as empresas que descobrirem como capitalizar essas mudanças;

As 160 start-ups foram agrupadas em 4 grandes segmentos: Gestão de Desempenho, Otimização de Capacidade, Criação de Valor e Inovação Operacional, entre as quais destacam-se:

O estudo identificou em todo o mundo 160 start-ups que estão trabalhando para criar novas fronteiras digitais no setor marítimo e, embora isso represente um risco para modelos de negócios tradicionais do setor, também podem significar uma tremenda oportunidade para as empresas que descobrirem como capitalizar essas mudanças;

As 160 start-ups foram agrupadas em 4 grandes segmentos: Gestão de Desempenho, Otimização de Capacidade, Criação de Valor e Inovação Operacional, entre as quais destacam-se:

  • Nautilus Lab (EUA, aporte US$ 2 mi): Coleta, processa e analisa em tempo real informações operacionais dos navios. Afirmam já terem colaborado para uma redução de 3% no desperdício de combustível;
  • Arundo (EUA, aporte US$ 32,6 mi): Software que coleta dados de todos os elos da cadeia logística (embarcador, recebedor, transportadores etc) visando aumentar receitas (vendas perdidas por falta de mercadoria), reduzir custos (inventários) e mitigar riscos do transporte (roubos e avarias);
  • Kayrros (França, aporte US$ 34,4 mi): Prevê fluxos internacionais de commodities baseado na coleta e cruzamento de dados não estruturados (ex.: imagens de satélite, notícias, GPS, licenciamentos, financiamentos etc);
  • Freightos (EUA, aporte US$ 38,3 mi): Automatiza o processo de cotação de frete;



O estudo sugere que o transporte marítimo passará por mudanças sem precedentes na próxima década, contudo, uma das reflexões mais emblemáticas desse trabalho é que: “A estrutura de propriedade das embarcações deve mudar radicalmente e os modelos de negócios deverão sofrer mudanças profundas quando os participantes desse ecossistema se moverem para além das embarcações e se integrarem à cadeia de suprimento. As embarcações continuarão sendo fundamentais no transporte de porto a porto, contudo os dados que eles gerarão serão integrados a uma gama de serviços que permitirão a criação de valor muito além das taxas de frete”;

“As tarifas de frete podem se descolar tanto da atual relação entre oferta e demanda quanto das despesas operacionais e algum dia chegar a zero ou se estabilizem em níveis baixos baseados em transações”;

Atualmente grandes empresas de diversos segmentos (ex.: General Electric, Cisco, Google e Klabin), já destinam vultosos recursos na “aceleração” de start-ups que possam contribuir com seus processos de inovação, exatamente por reconhecerem que os insights gerados a partir da informalidade, da ausência de vícios/paradigmas corporativos, do conhecimento de novas tecnologias e da forte conexão com o futuro que essas pequenas empresas possuem podem contribuir muito para que essas gigantes não sejam “engolidas” por novas tecnologias como Kodak, Xerox, Blackberry, Blockbuster etc;

Recentemente a Maersk lançou na India um programa de aceleração de start-ups chamado de OceanPro visando identificar e promover soluções tecnológicas inovadoras que facilitem a integração da cadeia de suprimentos e catalizem ainda mais a transformação digital global;

Além das oito start-ups selecionadas pelo programa OceanPro, vale mencionar que a Maersk também inaugurou recentemente na Índia o “Maersk Techonology Center” e está patrocinando o mestrado em tecnologia de dois alunos da Indian Institute of Science:

"Reconhecemos o imenso potencial e o talento da tecnologia indiana e procuramos capitalizar essas capacidades para ajudar o setor de logística em todo o mundo a se reinventar", disse Søren Skou, CEO da AP Moller-Maersk;

A Maersk observou que seu site Maersk.com está atualmente entre os maiores sites de transações B2B do mundo, com uma receita média horária de US$ 1,3 milhão. A grande maioria (98%) dos 60.000 clientes da Maersk faz suas reservas através deste site.

Além da Revolução Digital, um outro importante motivador desses investimentos em tecnologia é a busca por diferenciação. Os grandes armadores estão todos operando por meio de alianças globais que usam o mesmo navio, nas mesmas rotas, escalando os mesmos portos e com o mesmo transit time: “Mesmo para os observadores de longa data da indústria, como Drewry, muitas vezes tem sido difícil distinguir uma armador de outro”, avaliou um executivo da consultoria;

Ainda assim nem todos os armadores estão seguindo um mesmo caminho em termos de investimentos em tecnologia. Ao contrário da Maersk e da CmaCgm que estão partindo para soluções integradas (porta-a-porta), a Hapag Lloyd pretende concentrar-se em seu core business (porto-a-porto), focando na qualidade do serviços:

“Tamanho não é mais o nome do jogo, mas foco no cliente. É óbvio que os clientes esperam “supply chains” mais confiáveis, de modo que nossa indústria precisa mudar e investir mais. Ao mesmo tempo, sabemos que as pessoas estão dispostas a pagar por valor. No futuro, agregar valor para obter a carga mais atraente a bordo é o coração de nossa nova Estratégia 2023. Ser o número um em qualidade é a promessa final para nossos clientes e um forte diferencial de nossos concorrentes.“ afirmou Rolf Habben Jansen, CEO da Hapag-Lloyd;

“Estamos construindo uma empresa que é um integrador global de logística de contêineres - uma empresa muito semelhante à UPS e à FedEx; e espero que sejam considerados nossos parceiros quando terminarmos essa jornada de transformação dentro de três a cinco anos”, defende Soren Skou, CEO da Maersk;

A verdade é que há riscos associados à ambas estratégias! Aquelas empresas que pretendem ampliar seu escopo de atuação para todo o espectro da cadeia logística desde a origem até o destino já podem antever um conflito com seus hoje clientes “freight forwarders”, além de que isso exigirá uma gestão mais complexa, com altos custos associados e com risco de se perder o foco na parte da cadeia relativa a pernada marítima. Se a estratégia for bem sucedida, as empresas que optaram por focar porto-a-porto acabarão perdendo espaço, por outro lado, se falharem podem perder espaço para aqueles que centraram esforços em oferecer um transporte marítimos de qualidade;

Independente do caminho escolhido pelos armadores, uma coisa é certa, a tecnologia digital será fator determinante no futuro do transporte marítimo.

Escrito por:

Leandro Barreto

Administrador de empresas, especializado em economia internacional pela Universidade de Grenoble e em Inteligência Competitiva pela FEA/USP. Há mais de dez anos atuando no segmento, foi gerente de Inteligência de Mercado na Hamburg-Süd, professor pelo IBRAMERC e Diretor de Análises da Datamar Consulting. Atualmente, coordena projetos independentes de consultoria com forte atuação junto a armadores, autoridades portuárias, embarcadores e entidades públicas voltadas para o desenvolvimento do setor portuário.



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