...mas caímos no ranking de competitividade!

Se por um lado ganhamos 10 posições no ranking internacional de desempenho logístico, por outro lado perdemos 6 posições no ranking de competitividade.

No artigo da semana passada (Segundo o Banco Mundial, nossa Logística melhorou...) tratamos da melhora da posição do Brasil no ranking internacional do desempenho logístico medido pelo Banco Mundial, sendo que os dois fatores que mais contribuíram para essa melhora da nossa logística (Desembaraço e Infraestrutura) estão mais diretamente associados a investimentos do setor público.

Apesar disso, ao analisarmos outro importante ranking internacional, o Global Competitiveness Index elaborado pelo World Economic Forum, percebemos que as coisas não andam tão bem assim já que passamos da 75ª para 81ª posição na última versão desse estudo, o que significa que os produtos e serviços brasileiros estão perdendo competitividade mundo a fora.

De acordo com o relatório, pelo lado econômico, essa queda foi impulsionada pela deterioração do consumo, da mão-de-obra e do mercado financeiro (ex. disponibilidade de crédito). Já pelo lado institucional pesaram, a deterioração da percepção da qualidade da administração do setor público, muito embora o Brasil tenha melhorado em áreas como proteção de direitos de propriedade e combate a corrupção (reflexo da luta contra a corrupção e pela independência do judiciário).

Para o World Economic Forum "a incerteza política e a piora das finanças do governo ainda são obstáculos para a consolidação de uma agenda de competitividade pró-crescimento da maior economia da América Latina e do Caribe".

O relatório afirma ainda que "o Brasil está passando por uma profunda recessão. A taxa de crescimento do país desacelerou de forma constante, passando de uma média de crescimento anual de 4,5% entre 2006 e 2010 para 2,1% entre 2011 e 2014, de acordo com o Banco Mundial, e um crescimento negativo previsto para 2015 e 2016."

Entre os fatores mais problemáticos para se fazer negócios no Brasil estão: Taxas de juros, Corrupção, Carga Tributária, Burocracia Estatal, Instabilidade política, Custo Trabalhista etc 

O World Economic Forum sugere que para enfrentar os desequilíbrios macroeconômicos, incluindo os grandes déficits nas transações correntes do governo e a inflação, será necessário melhorar a produtividade, começando pelo ambiente macroeconômico (leia-se ajuste fiscal), e abordando as distorções do mercado que afetam a forma como os mercados funcionam (leia-se reformas da previdência, trabalhista e tributária).

Em outras palavras, não adianta melhorar nossa infraestrutura se nossos produtos e serviços estão perdendo competitividade lá fora. Na teoria a agenda do atual governo parece bastante alinhada à cartilha do World Economic Forum, mas na prática parece claro que o que ditará o ritmo de retomada do crescimento econômico serão as "manobras políticas" (para o bem ou para o mau) e o rigor na apuração dos escândalos de corrupção...só espero que, com tantos figurões já presos, a população não esmoreça e, se necessário, volte às ruas para que o país não perca essa oportunidade de ser, de fato, passado a limpo.


Escrito por:

Leandro Barreto

Administrador de empresas, especializado em economia internacional pela Universidade de Grenoble e em Inteligência Competitiva pela FEA/USP. Há mais de dez anos atuando no segmento, foi gerente de Inteligência de Mercado na Hamburg-Süd, professor pelo IBRAMERC e Diretor de Análises da Datamar Consulting. Atualmente, coordena projetos independentes de consultoria com forte atuação junto a armadores, autoridades portuárias, embarcadores e entidades públicas voltadas para o desenvolvimento do setor portuário.



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