Navios em chamas

Seis incêndios consideráveis em embarcações de turismo e cargas marcaram o mês de setembro

O mês de setembro de 2016 ficará marcado no transporte marítimo internacional como o mês dos navios em chamas, devido à quantidade excessiva de incêndios ocorridos com navios de cruzeiros e de cargas em diversas partes do mundo. Foram seis incêndios de grande porte que causaram prejuízos aos armadores, embarcadores de cargas, além de transtornos aos passageiros dos navios cruzeiros.

Já no primeiro dia do mês, o meganavio CCNI Arauco pegou fogo após uma explosão enquanto estava ancorado no porto Hamburgo, na Alemanha. Foi um incêndio de grandes proporções ocorrido durante os trabalhos de soldadura de um container que causou o fogo, e as chamas se espalharam para outros containers que estavam próximos.

No mesmo dia, o navio de cruzeiro de luxo Sea Dream I, com 105 passageiros e 61 tripulantes, pegou fogo enquanto fazia uma viagem entre Amalfi e Palinuro, no mar Tirreno, na Itália. O incêndio causou danos ao gerador e motor principal, o que deixou o navio sem o poder de propulsão e foi rebocado para Nápoles.

Uma semana depois, no dia 06, o navio petroleiro Aframax Rio pegou fogo no Canal de Houston, após um tanque de combustível ter sido perfurado por objeto não identificado quando o navio estava em curso para atracar. O navio não transportava carga no momento do incidente, e as autoridades locais conseguiram extinguir as chamas rapidamente, mas certa quantidade de óleo combustível foi derramada para o canal, causando poluição ambiental.

Quando as estatísticas do mês já estavam suficientemente caracterizadas pelos incêndios, em 17 de setembro, o navio de cruzeiro Emerald Princess pegou fogo na sala de máquinas durante uma viagem de Southampton para Las Palmas. O fogo foi causado por suspeita de vazamento de combustível no compartimento do motor, e a própria tripulação combateu o incêndio.

Dois dias depois, no dia 19, o navio porta-containers Wan Hai 307, que fazia viagem de Hong Kong para Kaohsiung, em Taiwan, transportava containers com cargas perigosas e pegou fogo. As chamas foram controladas pelos bombeiros, mas alguns containers foram destruídos pelo incêndio, e outros que estavam perto também foram afetados. Além daquelas arruinadas pelo fogo, muitas cargas também foram danificadas pela água utilizada no combate ao fogo durante o processo de extinção do incêndio.

Continuando a saga dos incêndios, no dia 25, o navio tanque Burgos, pertencente à petrolífera estatal mexicana Pemex, que transportava diesel e gasolina, pegou fogo nas águas do Golfo do México, no estado de Vera Cruz. A embarcação transportava 80 mil barris de óleo diesel e 87 mil barris de gasolina e o incêndio foi causado em decorrência de uma explosão a bordo.

Para não ficar de fora da temporada dos navios em chamas, o Brasil fechou o mês com a sua contribuição: no dia 29, o fogo partiu de uma embarcação que estava atracada desde 2008 no estaleiro do município na Barra dos Coqueiros, em Sergipe, e passa por um processo de desmontagem, após ser vendida como sucata.

O aumento de ocorrências de incêndio com navios é uma preocupação para os armadores, proprietários das cargas, seguradoras e resseguradores, e os Clubes P&I (Protection and Indemnity).

As seguradoras internacionais oferecem aos armadores o seguro com cobertura para o casco do navio, motor e maquinário, e para os donos das cargas transportadas, o seguro de transporte internacional. A responsabilidade civil assumida pelo armador perante terceiros é garantida através do Clube P&I (Protection and Indemnity), clube que, apesar de funcionar como tal, não é seguradora, é um sistema de mutualismo formado pelos próprios armadores e donos de navios. Aos embarcadores, armadores e seguradoras, resta torcer para que a onda de fogo tenha sido exclusiva do mês passado, e que não se ouçam os alarmes de incêndio nos próximos dias.

Escrito por:

Aparecido Rocha Mendes

Especialista em seguros internacionais



Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Guia Marítimo. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.