A indústria nacional vem registrando perdas significativas de participação no mercado interno, mostraram os CEI (Coeficientes de Exportação e Importação) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O CI (Coeficiente de Importação) da indústria geral atingiu 23,1%, maior índice já registrado na série histórica, iniciada em 2003 – o recorde anterior era de 21,8%, apurado em 2010. O mesmo ocorreu com a indústria de transformação, que chegou a 21,9% no fechamento anual, também apontando um novo recorde – o anterior era de 20,4%, registrado igualmente em 2010.
O estudo, realizado pelo Derex (Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior), apontou que a participação de mercadorias importadas no consumo brasileiro, no quarto trimestre de 2011, aumentou 0,6 ponto percentual, chegando a 24%. No mesmo período de 2010, o nível de participação dos importados no consumo doméstico era inferior em 1,5 p.p. (22,5%).
No ano passado, o consumo aparente no Brasil cresceu 1,2% e a maior fatia desse crescimento foi aproveitada pelos importados (54,5% do total). A indústria doméstica ficou com o percentual remanescente, 45,5%. Os números indicam a inversão do cenário encontrado em 2010, quando a maior parte (53,2%) dos produtos consumidos internamente foi produzida pela indústria brasileira. “Isso significa que de cada três produtos consumidos no nosso País, um é importado. Em 2005, essa proporção era de 15%, hoje temos um recorde histórico”, afirmou o diretor do Derex, Roberto Giannetti da Fonseca.
Segundo ele, para reverter a situação é preciso trabalhar as questões de câmbio, eficiência logística e desoneração de tributos “para melhorar a competitividade dos produtos brasileiros tanto para concorrer no mercado interno, com os importados, quanto na exportação, com produtos do mundo todo”.
Os CE (Coeficientes de Exportação) das indústrias em geral e de transformação apresentaram alta de 0,6 p.p – fechando em 19,5% e 16,4% respectivamente – na comparação anual, embora tenham permanecido estagnados nos três últimos trimestres de 2011. “A desvalorização cambial de 10% proporcionou melhora na competitividade dos produtos brasileiros no exterior, garantindo a elevação do CE”, explicou Giannetti.
O diretor alerta para um cenário de movimento de substituição de produtos nacionais no consumo interno brasileiro que, caso seja mantido pelos próximos anos, levará o Brasil a aprofundar a atual conjuntura de perda de participação da indústria no PIB (Produto Interno Bruto).





