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  Editorial e Notas da Revista Guia Marítimo

Guia nº 427
Editorial
A exigência dos EUA
O programa dos Estados Unidos de submeter todos os contêineres de exportação com destino ao país à verificação prévia na origem é totalmente contraproducente ao livre comércio e abre margem à interpretação de ser revestido de um caráter protecionista. A exigência é em nada consonante com a necessária retomada das trocas que se prenuncia, depois do abismo a que foi lançado o transporte marítimo durante a crise econômica internacional.

A previsão é que o plano de escanear 100% dos equipamentos nos portos de embarque entre em vigor em 2012. A medida integra a cesta de ações antiterroristas concebidas por Washington pós o11 de setembro de 2001.
Ao refutar publicamente o plano, a União Europeia - já combalida por uma crise interna detonada pelo desarranjo fiscal da Grécia - destacou que o programa dos Estados Unidos não garante por si só a segurança contra supostos atentados.

Ademais - e não menos importante - a exigência demandaria vultosos custos não programados. A estimativa inicial é que somente em equipamentos os portos europeus teriam de investir aproximadamente 380 milhões de euros. Já as obras para adaptar os terminais portuários, tornando-os capazes de receberem os escâneres, exigiriam aportes superiores a 430 milhões de euros até 2020.

Segundo texto divulgado recentemente pela European Commissioner for Taxation and Customs Union (o equivalente no Brasil à Receita Federal), a medida aumentaria o custo do transporte, implicando perdas "maciças" ao setor, que já sofre com a queda nos volumes movimentados.

Assim, o assunto deveria receber a devida atenção de fóruns internacionais como a IMO (Organização Marítima Internacional) e ser tratado também à luz da defesa do livre comércio.



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