Adeus 2015: no balanço uns comemoram bons resultados, outros trabalham para reduzir dívidas e recorrer decisões

O Guia Marítimo traz para o leitor uma retrospectiva com resultados de 2015 para portos, terminais e indústria. Em janeiro, setor já acompanha alta nos preços da praticagem e novo incêndio em terminal

Kamila Donato


tendencias-logisticas















Dados da Datamar mostram que em 2015 o Brasil importou 270,3 mil toneladas de cebolas frescas da Europa, uma alta de 80% em relação às 150,6 mil toneladas registradas em 2014. Em valores, o crescimento foi ainda maior: de US$ 40,4 milhões (2014) para US$ 90,3 milhões (2015). Entre os principais fornecedores europeus, se destacaram Bélgica e Holanda, responsáveis por 47% do total importado pelo país no ano. A Argentina, responsável por 82% de envio da commodity importada pelo Brasil em 2014, teve uma parcela de 29% em 2015 devido às chuvas que prejudicaram suas plantações durante o ano.


No setor siderúrgico, o Brasil fechou 2015 com um volume recorde de exportações: 13,7 milhões de toneladas de aço enviadas no ano. Dados do Instituo Aço Brasil mostram ainda que o número é 40,3% maior em relação ao ano anterior. Apesar disso, a receita total recuou 3% na comparação do mesmo período, atingindo US$6,6 bi.

No mercado de carnes, a receita da exportação de carne bovina recuou 18,1% em 2015 quando comparada a 2014. A abertura de novos mercados para as carnes brasileiras foi um dos fatores positivos. Segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), as exportações em 2015 somaram US$5,9 bilhões em valores e 1,39 milhões de toneladas em volume, uma queda de 10,9% em relação a 2014.


Nas lavouras, o melhor desempenho foi da soja, cujo valor alcançou R$41,3 bilhões, enquanto na pecuária a carne bovina liderou com R$ 73,8 bilhões. As exportações brasileiras do complexo soja totalizaram US$ 27,96 bilhões em 2015. De acordo com os dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), do total, US$ 20,98 bi (75,1%) referem-se às exportações de soja em grão, US$ 5,82 bi (20,8%) às de farelo de soja e US$ 1,2 bi (4,1%) às de óleo de soja. Somados, os três produtos responderam por 14,6% do total das exportações brasileiras realizadas em 2015.


Os principais destinos ficaram para a China que somou 40,9 milhões de toneladas, volume que representa aproximadamente 75% das exportações brasileiras da oleaginosa. Outros 10% das exportações do grão tiveram como destino os países da União Europeia e 8,9% seguiram para portos asiáticos.


Portos & infraestrutura


Ainda segundo a consultoria, os dados mostram que o Porto de Itajaí fechou o ano de 2015 com uma retração de 9% no volume de contêineres operados em relação a 2014. No ano passado foram movimentados 983,76 Teus, sobre 1,09 milhão de Teus registrados no ano anterior. Em unidades, a queda foi maior: 588 mil contêineres em 2015 contra 657 mil em 2014, contabilizando retração de 11%. A administração portuária do complexo aponta a realização de obras no cais durante o ano, além de mudança nas linhas de contêiner e a conjuntura econômica externa desfavorável como principais responsáveis pela queda.


O complexo que teve sua dragagem autorizada pela SEP em 201 - orçada em R$ 65,18 milhões - teve retirado do fundo do canal 3,7 milhões de metros cúbicos de resíduos deslocados pelas chuvas que atingiram Santa Catarina em outubro, de forma a restabelecer a profundidade normal de 14 metros.


Vale ressaltar que o PND (Programa Nacional de Dragagem) que integra o PIL (Programa de Investimento em Logística) tem previsão de R$ 50,8 bilhões em investimentos na modernização do setor portuário brasileiro até o ano 2017. Desse total, R$ 3,8 bilhões estão previstos para investimento em dragagem de manutenção nos próximos dez anos em diferentes portos do país.


No Porto de Santos, os preços dos serviços da praticagem foram o destaque de janeiro: registrando um aumento de 31,4% de uma só vez na última quinta-feira (14). O ajuste foi ordenado pela justiça para se adequar ao ICPA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), porém o governo federal informou que ainda irá recorrer à decisão.

Fugindo das taxas de aumento, o complexo anunciou esse mês a contratação de um estudo pela USP (Universidade de São Paulo) – entregue até o final de 2017 – para analisar a viabilidade de um novo porto para daqui 25 anos. O objetivo é oferecer uma infraestrutura mais eficiente e capaz de receber os grandes navios projetados.


Uma das opções segundo o presidente da Codesp (Companha Docas do Estado de São Paulo), Alex Oliva, é fazer um porto offshore, fora do estuário de Santos, que poderia receber navios sem restrição de tamanho. Vamos esperar para ver!


Terminais


A CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) recebeu dez propostas de empresas interessadas em adquirir o Sepetiba Tecon. Entre elas estão a gigante mundial de operação portuária PSA, de Cingapura, a chilena SAAM, a Wilson Sons e a LOGZ. A CSN informou que está analisando as propostas a fim de concretizar a venda do terminal e reduzir seu endividamento.


Enquanto isso, o Porto do Rio Grande comemora um 2015 positivo, traduzido como “o melhor ano de toda a história do complexo portuário”. De acordo com a superintendência do complexo, foram movimentadas 37.667 milhões de toneladas de produtos, resultado 8,9% maior se comparado a 2014. A navegação de longo curso foi a principal operação do porto, representando mais de 80% do total movimentado.


A China, de acordo com o relatório da Datamar, foi o principal destino das exportações, enquanto a Rússia foi o país que mais enviou cargas ao porto. Os portos do Brasil foram responsáveis por movimentar 98,6% das exportações realizadas pelo país em 2015, sendo 95,9% por via marítima e 2,7% por via fluvial. Segundo o MDIC, a soja foi a principal commodity exportada, tendo como principais portos de embarque os complexos de Santos (24% do total) e Rio Grande (21%). Rio Grande aparece como grande surpresa, tendo aumentado seu embarque da commodity em 39% quando comparado a 2014.


Cenário bom para uns e ruim para outros, com é o caso da Localfrio, que vivenciou essa semana um caso parecido com o ocorrido no Terminal da Ultracargo no ano passado. O terminal – localizado na margem esquerda do complexo portuário de Santos – foi atingido por um incêndio causado por uma reação química após contato de ácido clorídrico com a água da chuva que caía na região. O incêndio só foi totalmente controlado na manhã do dia seguinte ao incidente. 39 atendimentos médicos foram registrados devido a inalação da fumaça, além de 50 contêineres que foram completamente danificados após serem atingidos pelo fogo. As causas do incêndio ainda estão sendo analisadas, segundo a companhia. O terminal da já opera normalmente desde segunda-feira (18).


Um trabalho realizado pelo PAM (Plano de Auxílio Mútuo do Porto de Santos) já está sendo feito nas instalações da Codesp, para tratar de proposta visando a alteração de sua estrutura de funcionamento e o aprimoramento dos procedimentos de prevenção e atendimento a situações de emergência na área do Porto Organizado. Estão representados no PAM a Codesp, a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, as prefeituras de Santos e Guarujá, a Cetesb, o Ibama, a Capitania dos Portos e os terminais portuários.


Veja aqui os dados produzidos pela Datamar Week semanais sobre o comércio exterior brasileiro.

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Guia Marítimo. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.