Freight forwarders encontram saídas em meio ao mercado retraído

Em um cenário de estagnação, câmbios desfavoráveis e fretes marítimos em declínio, as transitárias de carga globais encontraram na produtividade e abertura de novos mercados os meios para manter os resultados

Em análise feita pela IHS Fairplay, os resultados divulgados por freight forwarders do mundo todo apontaram que as empresas demonstraram certa resiliência diante da volatilidade dos fretes marítimos e da estagnação dos volumes transportados no ano passado. As empresas europeias, em especial, chegaram até a conseguir manter ou aumentar suas margens de receita apesar do período difícil.

Aparentemente, os lucros operacionais foram garantidos por uma seleção mais apurada de cargas, ganhos de eficiência e opção por serviços de maior valor agregado. Assim foi a trajetória da líder do mercado de NVOCCs, Kühne + Nagel, que registrou um aumento de 3,5% sobre os lucros antes de juros e impostos (EBIT), chegando a US$ 873,5 milhões em faturamento bruto (Leia no Guia).

Embora o volume de cargas marítimas da empresa tenha se mantido nos mesmos 3,8 milhões de Teus registrados no ano anterior, e apesar da crescente pressão sobre os fretes e os impactos do câmbio, a divisão de transporte oceânico do freight forwarder conseguiu aumentar o faturamento bruto (a movimentação menos taxas alfandegárias, encargos, impostos e taxas de transportadores) em mais de 5%.

A companhia explicou que o aumento foi principalmente proveniente de contratos firmados nos mercados norte-americano e intra-asiático. Também tiveram um papel importante os ganhos obtidos pela companhia no mercado especializado em commodities perecíveis (FCL refrigerados), além de embarques LCL.

Ainda de acordo com a IHS Fairplay, a subsidiária de logística do grupo Deutsche Bahn, DB Schenker, viu caírem os volumes de carga marítima em 2% no ano de 2015, passando para 1,94 milhões de Teus. Mesmo assim, a divisão aérea e marítima da companhia conseguiu aumentar o lucro Operacional (EBIT) em 26%. A empresa atribuiu o resultado especialmente à melhoria da eficiência no uso de containers, bem como um aumento dos volumes de carga aérea movimentada.

O grupo suíço Panalpina, por sua vez, conseguiu movimentar 1,59 milhões de Teus em 2015, o que reperesentou 0,8% a menos do que no ano anterior. Uma combinação de 1,5% de queda no lucro por Teu – decorrente de efeitos negativos do câmbio – fez com que o lucro da companhia caísse de CHF491 milhões em 2014 para CHF480 milhões em 2015. Medidas internas de produtividade, no entanto, levaram a empresa alcançar resultados positivos, impulsionando o lucro Operacional (EBIT) da Panalpina em cerca de 100%, mesmo com um menor volume geral de operações. O conselho executivo da empresa declarou que as melhorias na produtividade e na eficiência ainda continuam sendo a prioridade da empresa no segmento de cargas marítimas, embora o mercado ainda tenha expectativas de permanecer estagnado. A Panalpina disse esperar que o tráfego geral de carga FCL (full container load) aumente parcos 2% neste ano, ainda reflexo das projeções de 2015, quando se esperavam aumentos entre 0 e 1%.

Na Dinamarca, IHS Fairplay relata que a DSV, que está no processo de integração de sua maior aquisição (o forwarder americano UTi), demonstrou mais uma vez uma performance impecável no ano passado, melhorando a margem operacional (EBIT sobre a movimentação) de 7% para 8.9%, um aumento de quase 25% (US$ 293,5 milhões), enquanto a receita bruta chegou a aumentar 15,6%. Maior volume de cargas movimentadas (incluindo 2% a mais em cargas containerizadas), além do favorecimento pelo câmbio americano, fizeram com que os ganhos da companhia fossem incrementados por serviços de maior valor agregado, como gerenciamento, consolidação, liberação de cargas e seguros, disse a DSV.

Entre as transitárias mundiais de destaque, no entanto, a DHL Global Forwarding apresentou resultados insatisfatórios. A empresa, subsidiária do serviço alemão de Correios Deutsche Post DHL Group, e segundo maior freight forwarder marítimo do mundo, conseguiu manter os volumes estáveis em 2,93 milhões de Teus, porém com queda de 2% sobre a receita, o que fez com que a administração da companhia tomasse iniciativas inovadoras para reverter o quadro. A performance ainda foi prejudicada pelo grande impacto que a implantação malsucedida de novas ferramentas de TI gerou sobre as operações da empresa, o que drenou os resultados operacionais (EBIT) da DHL Global Forwarding para a beira do prejuízo.


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