Porto do Futuro: para uma nova geração de navios

Planejado para daqui 25 anos, estudo da USP definirá até 2017 a capacidade máxima de recepção de navios pelo porto, formado por um canal de navegação às margens do qual estão instalados os terminais de movimentação de cargas

Porto-de-Santos-2O presidente da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), Alex Oliva, quer manter o Porto de Santos como protagonista em um cenário onde os grandes navios esbarram na necessidade de uma melhor infraestrutura.


Diante de uma estrutura física ainda “incapaz” Oliva disse que irá contratar um estudo para planejar o porto para daqui 25 anos, tão logo saia o diagnóstico recém-encomendado à USP (Universidade de São Paulo) que definirá - até dezembro de 2017 - a capacidade máxima de recepção de navios pelo porto, formado por um canal de navegação às margens do qual estão instalados os terminais de movimentação de cargas.


Uma das opções seria fazer um porto offshore, fora do estuário de Santos, que poderia receber navios sem restrição de tamanho. Hoje o canal por onde trafegam os navios está limitado a 15 metros de profundidade e a 220 metros de largura, com um traçado que engloba uma curva acentuada que impõe dificuldades às manobras dos maiores navios com escala regular, de 336 metros de comprimento.


Mas uma nova geração de embarcações deve chegar em águas brasileiras no futuro próximo, com extensão de 366 metros. E a abertura do novo canal do Panamá, prevista para abril, deve acelerar a vinda das classes subsequentes. Contudo, ainda não do mesmo patamar das empregadas em tráfegos mais volumosos, como nas rotas entre Ásia e Europa.

Segundo ele, uma possibilidade é o porto offshore com transbordo, tendo o atual porto como um grande suporte. “A meta é estudar alternativas para que Santos não fique estagnado. Hoje o cais santista escoa o equivalente a 27% da balança comercial em valores, sendo o porto concentrador do Brasil, de onde a cargas são redirecionadas via transbordo para demais portos no país”, disse.


Preocupado com os novos concorrentes que aparentam dar conta do crescimento absoluto da demanda, como o Porto de Suape (PE), um "sucesso pré-anunciado há décadas", diz Oliva. Especialistas avaliam que Suape será o grande hub port da América do Sul devido às condições estratégicas. Tem área de expansão, é segregado da região urbana, tem profundidade, acesso rodoviário e a ferrovia está sendo expandida até lá. Ainda, está mais próximo da Europa e do Canal do Panamá, que encurta a viagem até a Ásia.


"Temos de ser competitivos, sermos um hub port enquanto pudermos ser. E quando outros começarem a ser, não nos amedrontarmos. Santos vai ser um dos grandes polos de 'feeder' da América do Sul. Perde talvez as grandes linhas dos megacarriers que não vão passar na nossa curva, isso vai para algum lugar e o cenário que se mostra é Suape", disse.


Além do planejamento de longo prazo, Oliva quer deixar como marca um laboratório que será um centro de excelência na Baixada Santista para estudo e formação de especialistas. Integra o contrato de R$ 10 milhões assinado com a USP a construção de um modelo reduzido do estuário de Santos em uma oficina da Codesp.

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