Recuperação do setor automotivo voltará só após 2017, dizem executivos

Pesquisa aponta infraestrutura, custo de matéria-prima e mão de obra como principais barreiras para aumentar a competitividade internacional e elevar a exportação de autopeças

images (2) Executivos da indústria automotiva no Brasil esperaram que 2016 seja o último ou penúltimo ano de queda nas vendas antes da recuperação, que está prevista para 44% só em 2017. Se você acha que o cenário é ruim, piora quando 42% esperam isso para 2018. Mais pessimistas, 12% dos entrevistados acreditam que a recuperação ocorrerá somente mais tarde, a partir de 2019. E apenas 2% enxergam alguma expansão das vendas em 2016.


Os dados são da pesquisa elaborada pela Roland Berger, onde 86% dos 514 integrantes do setor pensam assim. No curto prazo, a pesquisa detectou que para o mercado de veículos leves existe uma divisão moderada entre aqueles que projetam retração leve de 5% a 10% nas vendas este ano (40%) e os que esperam por estagnação (35%) em relação a 2015, com variação para cima ou para baixo não maior do que 5%.


Para o segmento de veículos comerciais a divisão é parecida: 35% dos executivos ouvidos previram queda moderada e 33% projetam estabilidade. Na opinião dos pesquisados, os principais fatores que impactarão ambos os mercados são o desenvolvimento econômico nacional, o crédito e as políticas tarifárias/regulação. Em relação ao volume de veículos leves exportados, é esperado crescimento leve de 5% a 10%, sendo apontado pelos executivos o câmbio favorável como principal fator determinante.


RETOMADA


Como principais medidas implementadas para superar a crise que caminha, 67% dos entrevistados mencionaram a redução da capacidade de produção e mão de obra, 54%, a redução de despesas (overhead) da área administrativa e 46% o aumento das exportações.


Entre as medidas a serem adotadas em 2016 para encarar o cenário crítico, os executivos citaram o aumento das exportações, redução de despesas (overhead) e corte da capacidade de produção e mão de obra.

Na opinião do setor, um programa de renovação da frota, redução de impostos e encargos e facilitação de acesso ao crédito são as medidas do governo que mais poderiam afetar positivamente o mercado e antecipar a retomada do crescimento no setor.


Entre os fabricantes de autopeças, 39% dos executivos ouvidos esperam que o relacionamento dos fornecedores com as montadoras fique ainda mais deteriorado em comparação com 2015, outros 39% esperam que tudo fique igual.

Assim como em 2014 e 2015, a lucratividade é vista como principal preocupação dos fornecedores em 2016, seguida pela crescente ociosidade das linhas de produção.


A infraestrutura logística (63%), o custo das matérias-primas (62%) e da mão de obra (60%) são apontados como principais barreiras para aumentar a competitividade internacional e assim elevar a exportação de autopeças.

Quanto à eficácia dos incentivos do governo para a competitividade da cadeia de fornecedores, é possível avaliar que a maioria dos executivos considera que serão insuficientes em 2016, como foi no ano passado.

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