Resultados do Brasil em suas operações no comércio exterior não são tão assustadoras

Enquanto as exportações de contêineres e principalmente de grãos tende a crescer, importações se mostram mais retraídas. Porém, excesso de capacidade de contêineres aparece como “verdadeira crise”

A desvalorização cambial e a retração da economia brasileira tem sido fatores positivos para os resultados apresentados pelo Brasil no começo do ano em suas operações no comércio exterior. “O Brasil está vivendo hoje uma crise político econômica que está impactando as nossas importações, mas por outro lado, o governo liberou o dólar e no patamar que está, está excelente para as exportações”, aponta Leandro Barreto, consultor da Datamar, ressaltando ainda que os exportadores estão bastante otimistas em relação a esse ano.


De acordo com Barreto, em termos de volume as exportações de contêineres e principalmente de grãos tende a crescer muito. Dados mais recentes mostram que o agronegócio fechou 2015 com maior participação nas vendas externas do país, em entrevista exclusiva ao Guia Marítimo na semana retrasada Luiz Antonio Fayet, consultor da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), falou sobre o assunto.


Com os olhos do terceiro maior consumidor do mundo já voltados para cá, graças a disponibilização de cargas a preços mais competitivos – devido à desvalorização da moeda –, essa elevação de demanda foi mais um impulso para que as estimativas de exportação brasileira fossem reajustadas, agora 10% maior ante a safra 14/15. Porém, a Índia está em uma situação semelhante à do Brasil nesse contexto, ameaçando “tomar” essa demanda. “No total hoje o que a gente está movimentando nos portos é muito mais em exportação, do que se movimentava em seis anos atrás. Em relação a crise que sofre é o mercado interno, as exortações vão muito bem, obrigada. As importações não sei mais o quanto podem cair”, diz, ressaltando que a queda em função do cambio e do PIB, pode se estender se a crise se mantiver. “Mas ainda assim vamos ficar em um patamar muito melhor do que a cinco, seis anos atrás”, completa.


Crise?

Para Barreto, a crise no setor é clara. “Ninguém está investindo em novas obras até entender quando que a demanda vai voltar mais forte. Até lá tudo vai ficar parado”. Porém ressalta: “Não dá para dizer que tenha queda de volume, está tendo queda de projetos”.


Para ele, fora a crise nacional – que não impacta o comércio exterior, tanto quanto o mercado interno – existe no segmento de contêineres uma outra crise: de excesso de capacidade. “E essa crise sim está deflagrando um novo processo de fusões e aquisições na indústria. Isso é visto desde 2009 quando os armadores apresentavam resultados bastante irregulares, um semestre dá lucro, no outro prejuízo. É uma indústria que está passando apertado já há algum tempo. E isso se deve a desaceleração do comércio mundial, em um momento que os armadores estão que nem loucos aumentando suas encomendas para os estaleiros de navios grandes”.


O fator fica ainda pior quando a possível venda da Transpetro começa a trazer consequências ainda maiores para essas encomendas e para a retomada da indústria naval no Brasil.


Dentro desse cenário, previsões da gigante Dinamarquesa, Maersk dão conta de que o excesso de capacidade de contêineres poderá durar até 2019. O que na opinião de Barreto, não é real. “Eu não acredito que eles vão esperar até 2019 para encomendar navios”.


O consultor finaliza prevendo para 2016, não um cenário pintado, mas também não tão negativo. “Eu ainda enxergo esse ano com bastante dúvida na importação, não apenas por causa do câmbio, mas principalmente por causa do PIB. Esses dois fatores vão influenciar bastante as importações. Por outro lado, as exportações vão vir bem fortes. Essa é a expectativa para esse ano. Acredito em um crescimento bastante importante no volume das exportações”, conclui. 

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