Apesar do clima adverso, o Brasil deverá apresentar safra recorde

De acordo com o quarto levantamento referente à safra 2015/2016 de grãos, realizado pela CONAB, a produção brasileira tende chegar a 210,48 milhões de toneladas, alta de 0,9% em comparação com a safra passada

Redação


Com constantes atualizações de acordo com a dinâmica das produções deste mercado, o quarto levantamento realizado CONAB aponta que a safra de grãos do período de 2015/2016 tende chegar a 210,48 milhões de toneladas, com aumento de 0,9% sobre os 208,54 milhões de toneladas produzidos no ano anterior. A área plantada está estimada em 58,45 milhões de hectares, o que significa uma área 0,8% maior do que o total utilizado para a safra de 2014/15. Para 2016, a produtividade dos grãos também tende a ser levemente superior: a entidade espera que as safras rendam 0,14% a mais em seus resultados.


O relatório anual de Agro-análise publicado pela Parallaxis destacou somente o cultivo de soja e feijão como commodities que apresentarão crescimento na produção. A soja, em especial, tem ganhado produtores tradicionalmente dedicados a outras culturas, por apresentar maior rentabilidade, especialmente em um ano em que as exportações foram favorecidas pela alta do dólar. O grão aponta para um crescimento de área plantada da ordem de 3,5%, de acordo com os dados da Parallaxis, o que significa que já há 33,33 milhões de hectares de soja plantada no Brasil, com aumento da produtividade estimado em 2,5%. Os resultados ainda se mantiveram satisfatórios, mesmo diante das condições climáticas atípicas registradas neste ano, devido ao fenômeno “El Niño”, que trouxe menor intensidade de chuvas especialmente em regiões como o Centro-Oeste e de Matopiba, assim como excesso de chuvas na região sul do país.


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Para 2016, no entanto, as negociações da soja deverão apresentar algumas adversidades, como o impacto proveniente dos cortes nas taxas de exportação do grão na Argentina realizados pelo governo Mauricio Macri, e os altos estoques de passagem, especialmente nos Estados Unidos, que tendem a dobrar suas reservas do grão para este ano. Outro fator importante destacado pela Parallaxis foi que, apesar da desvalorização do real em relação ao dólar, que manteve os preços elevados em 2015, os produtores também enfrentaram custos maiores na compra de produtos importados, como fertilizantes e defensivos agrícolas. Apesar das adversidades, contudo, a avaliação do relatório é de que a soja ainda vá manter elevada rentabilidade, mesmo diante da expectativa de uma “onda” de desvalorização cambial e uma maior competitividade no mercado externo para soja brasileira.


No mercado do feijão, por outro lado, esperam-se melhores resultados, provindos de uma equilibrada relação entre oferta e demanda doméstica. Assim, a produção de feijão de primeira, segunda e terceira safras tende a chegar à marca de 3,33 milhões de toneladas, contra 3,11 milhões de toneladas atingidas na safra passada.


Algodão e milho primeira safra, por outro lado, estão entre os itens que devem perder parte da área plantada para a cultura da soja. Apesar dos bons preços registados nesse ano, os produtores de pluma estão receosos com os elevados estoques globais, principalmente na China. Além disso, a Parallaxis aponta que outro fator que desanimou produtores ao plantio da plumosa foram os baixos preços do petróleo no mundo, que é a matéria prima para a fabricação de material sintético. Com a queda nos preços de materiais sintéticos, o consumo da pluma pode sofrer pela escolha natural do consumidor.


Ainda assim, o mercado do algodão ainda tende a ser favorável para 2016, diante da expectativa de queda na produção global e um e aumento do consumo: espera-se que os estoques mundiais decresçam em até 6,35%. A do real, por sua vez, fez com que a pluma brasileira ficasse mais competitiva no mercado internacional, o que poderá favorecer as nossas exportações.


Com relação à cultura de milho, a Parallaxis relata que, apesar do recuo esperado para a primeira safra, os produtores deverão aumentar a produção durante o período da “safrinha”, como é conhecida a segunda safra, apesar da produção atualmente ser superior à primeira safra. A projeção da CONAB (Companhia Nacional do Abastecimento) mantém como relativamente estável a expectativa para a segunda safra de milho esse ano (54,56 milhões de toneladas), no entanto a análise da entidade nos leva a crer que a produção deverá ser superior à do ano passado, favorecida por uma melhor paridade nas exportações e crescimento na demanda doméstica, uma vez que a quantidade de animais em granjas, alimentados pelo cereal, vem aumentando.


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Alguns fatores cruciais, no entanto, ainda mantêm o mercado repleto de incertezas, tais como o aumento nos custos de produção, restrições para a obtenção de crédito rural, além da instabilidade climática esperada para 2016.

A produção esperada de arroz sofrerá o impacto da redução de áreas plantadas em praticamente todos os estados produtores, diante incertezas climáticas vinculadas ao excesso de chuvas no sul do país, principal região produtora do grão. Outro fator limitante para o arroz será o aumento nos custos de produção, o que deverá acarretar em redução não apenas na área plantada, mas também na tecnologia empregada para o cultivo, de acordo com a projeção da Parallaxis.


As culturas da chamada safra de inverno já encerraram sua colheita, e totalizaram 6,26 milhões de toneladas, nas quais se produziu 11,2% a menos de trigo (o mais importante da temporada), se comparado à safra passada. As condições climáticas extremamente desfavoráveis esse ano foram o principal motivo da redução na produção de trigo, o que ocasionou forte diminuição de moagem: com pouco trigo de boa qualidade disponível para os moinhos nesse mês de janeiro de 2016, as importações de trigos de outras origens tiveram de ser impulsionadas, o que altera também o preço da commodity no Brasil.




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