Importações de milho fora do Mercosul podem ter tarifa retirada
Proposta será enviada à Camex visando aliviar a oferta no Brasil, em meio a preços elevados do cereal
O governo brasileiro estuda a retirada da tarifa de 10% cobrada nas importações de milho de fora do Mercosul para abrir espaço para as compras “incomuns” do cereal produzido nos Estados Unidos, principalmente para o Nordeste brasileiro.
De acordo com o Ministério da Agricultura, uma proposta será enviada à Camex (Câmara de Comércio Exterior) para a isenção do imposto de importação do milho para compras de fora do Mercosul visando aliviar a oferta no Brasil, em meio a preços elevados do cereal.
Para a Associação Cearense de Avicultura, que representa produtores de aves em um dos Estados que sofre com a escassez do grão, o fim do imposto poderia impulsionar as compras de milho norte-americano. "Tendo oferta melhor do produto, a gente pode negociar. Com certeza a gente enxerga a proposta com bons olhos. Os EUA estão vindo com uma supersafra de milho", disse à Reuters o vice-presidente da entidade, Marden Alencar Vasconcelos.
As importações de milho dos Estados Unidos, um dos grandes concorrentes do Brasil no mercado internacional do cereal, são residuais. Analistas do mercado apontaram ainda ser muito cedo para estimar o eventual preço de venda do milho norte-americano no Brasil e os volumes adquiridos, mas ressaltaram que a viabilidade deste tipo de negócio poderá ser real.
O Brasil, grande exportador do cereal, está realizando fortes importações de milho argentino, isento da tarifa de 10% as compras do país vizinho deverão atingir pelo menos 700 mil toneladas em 2016, segundo a Agroconsult.
A Associação Brasileira dos Produtores de Milho destacou que a atual escassez de produto em determinadas regiões deve-se ao desestímulo, no passado, para a expansão da área cultivada com os grãos. Vale ressaltar que não há data para que a eventual redução de tributação entre em vigor.
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