Taxas de frete podem subir em 2017

Drewry alerta que existe o risco de que tal cenário não conduza a ganhos consideráveis para os embarcadores

As taxas de frete contratadas na maioria dos comércios de containers poderão atingir o patamar de até 40% em 2017, bem maiores do que os registrados em 2016. O levantamento relizado pela Drewry aponta, porém, que mesmo preocupados com o cenário antecipado, embarcadores da Ásia-Europa ainda se mantém sábios para esperar até depois do Ano Novo Chinês (CNY) antes de assinar contratos de longo prazo na esperança de que as taxas spot diminuam.

Simon Heaney, Gerente de Supply Chain Research, comenta que em termos de taxas de frete, 2016 foi "um jogo de duas metades". “A primeira metade do ano foi dominada pelos embarcadores, uma vez que as taxas caíram no primeiro trimestre na Ásia-Europa e no Transpacífico em volumes fracos e sobre oferta. No segundo trimestre, a maré virou e o crescimento da demanda voltou a um território positivo, uma vez que a gestão de capacidade das transportadoras assistiu ao aumento dos níveis de utilização".

De acordo com a Drewry a assinatura dos novos contratos pelos embarcadores se mantém à espera de um declínio pós-CNY. Heaney, comenta que essa é uma estratégia com sentido, dado que 2017 estava seguindo anos anteriores, com expectativa de um pico pré-CNY nas taxas. "Isso acontece todos os anos", disse ele. "Portanto, faz sentido não fazer negociações enquanto as taxas spot estão no auge. Podem apostar que após o CNY, as taxas vão cair".

No entanto, a Drewry alerta que existe o risco de que tal cenário não conduza a ganhos consideráveis para os embarcadores, porém Heaney não concorda. "O que estamos ouvindo é que há atrasos após um forte período de demanda. Por isso, não é verdade que um slide que você normalmente receberia pós-CNY será tão grave como no passado”.

Para ele, faz sentido sentido esperar. Mas, em termos gerais, ele aponta que as taxas spot na Ásia-Europa vão subir, “por isso não aconselharia esperar muito tempo”, afirma, reafirmando que faz sentido manter por hora.

Cenário

Neil Dekker, diretor de Pesquisa de Containers da Drewry, disse que os dias de taxas de crescimento anual de 4 a 7% no comércio global de containers foram "há muito tempo". Mas, acrescentou, que a expansão do comércio em 2017, de 2,1% - ante 1,3% em 2015 e 1,3% em 2016 - seria "um pouco mais positiva" para o mercado.

Ele previu que o desmantelamento continuaria elevado em 2017, depois de estabelecer um novo recorde em 2016. Como resultado, mesmo após o desmantelamento, a capacidade total de slot de containers, segundo ele, este ano aumentará em torno de 3,7% e em cerca de 5,5% em 2018. Isso comparado ao crescimento estimado da capacidade de 1,7% em 2016.

Em termos de demanda, Dekker disse que a Europa voltou ao crescimento positivo em 2016, após uma contração liderada pela Rússia em 2015. O crescimento total da América do Norte na demanda de containers de 2% foi previsto este ano, ligeiramente acima de 2016. "O crescimento do Headhaul no Transpac no ano passado foi de cerca de 3,2% e nós prevemos algo um pouco abaixo para este ano", acrescentou.

A Ásia viu um crescimento bastante fraco em 2016 e a demanda de cerca de 2% foi prevista este ano, marginalmente à frente do boom do Sul da Ásia em 2016. "Se há uma região estelar é o Sul da Ásia, não apenas a Índia, mas também o Paquistão e Bangladesh", acrescentou Decker.

Segundo ele, os volumes do Porto de Chittagong, por exemplo, atingiram cerca de 15% no ano passado. “Essa é a única região de destaque", afirma.

Ainda segundo o executivo, as taxas spot vieram pós-Hanjin “e as mentes das operadoras foram focadas mais claramente no gerenciamento de capacidade e os embarcadores tentaram reduzir o risco”. De acordo com ele, essa tendência tem se seguido nas primeiras semanas de janeiro.

Em um relatório separado da Drewry Financial Research Services (DFRS), o analista disse que a recuperação gradual nos mercados de frete era um desenvolvimento muito necessário e positivo para a indústria de transporte de containers, “mas era provável vir à custa de lin’has mais fracas, especialmente as empresas que ainda estavam fortemente carregadas de dívidas.

A DFRS disse em seu rekatório esperar “que o rejuvenescimento do ciclo econômico gere mais ganhos até o final do ano, embora a viagem possa ter alguns acidentes”. Ainda segundo a publicação, embora isso não seja suficiente “para curar os males da indústria da noite para o dia”, é um primeiro passo importante “para restabelecer algum grau de senso comercial e propriedade financeira para o negócio, acreditamos", finalizou.

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Guia Marítimo. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.