Grupo logístico espanhol aposta no Brasil

“A crise permite um tempo de adaptação enquanto conhecemos os clientes e desenvolvemos as operações”, diz executivo da Altius

Ao final de 2015, em pleno cenário de hostilidade política e econômica no Brasil, algumas empresas estrangeiras começaram a enxergar a tão falada oportunidade na crise e acreditaram no país como um potencial mercado a ser desenvolvido. Foi assim que desembarcou no Brasil o forwarder espanhol Altius, pertencente ao Grupo Davila, abrindo a matriz da companhia no Rio de Janeiro para atender aos mercados de Oil&Gas, offshore, vessel supply e outras operações com cargas secas e refrigeradas, administrada pelo Presidente Roman Davila. Em seguida, pouco antes da Feira Intermodal, estava inaugurado também o escritório de São Paulo da Altius, com planos futuros de expansão para outras regiões no País.

Fundado em Vigo, na Espanha, há quase cem anos, o Grupo Davila tem forte presença no país europeu, atuando nos segmentos de operação portuária, armazém reefer, navios e soluções logísticas multimodais. Na Europa, o grupo é também credenciado como OEA (Operador Econômico Aduaneiro), além de Agente Aduaneiro, uma figura representativa nomeada pelo poder público, inexistente no Brasil.


Segundo o Diretor da Filial de São Paulo da Altius, Augusto Leocadio, a empresa entende que o tempo de retração causado pela a crise irá permitir “um período de adaptação, de modo a conhecer os clientes e suas operações para que estas já estejam consolidadas quando o mercado voltar ao ritmo”.

Leocadio conta que a Altius desenvolveu interesse pela América Latina há pouco mais de cinco anos, quando um cliente pediu ajuda para montar uma operação com cargas de projeto em Buenos Aires, hoje a especialidade do diretor da unidade argentina. A partir de então, a empresa passou a planejar a expansão no continente americano, até estabelecer filiais no Chile, Peru, Bolívia, Argentina, México, Estados Unidos (Nova York e Miami) e Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo).

Apesar das quedas expressivas em volumes de carga nos últimos dois anos, Leocadio afirma que “América Latina cresceu muito rápido, e o grupo viu a necessidade de estabelecer escritórios regionais integrados”. As filiais da Altius devem se encontrar durante este fim de semana em Paraty (RJ) para discutir a integração e cooperação entre os escritórios da América Latina e EUA, com a presença do CEO da matriz espanhola, Jaime Rodriguez.

Tendo o mercado de refrigerados como um dos principais pilares da empresa, além de cargas secas e de projeto, a Altius vem trabalhando fortemente as exportações brasileiras. “Quando nos estabelecemos no Brasil, o país já havia começado a traçar uma queda vertiginosa nas importações, o que teria sido justamente o escopo principal da empresa, no entanto enxergamos que o momento é de exportações. Agora é hora de observar e atender às demandas do mercado”, realça Leocadio. As operações se beneficiam da estrutura do Grupo em Vigo, uma das portas de entrada para a Europa, e sua rede ampla de distribuição, embora utilizem outros portos europeus de acordo com o perfil da carga e dos destinos.

O serviço aéreo de cargas também é um produto de destaque da Altius, especialmente no segmento de frutas, motivo pelo qual a filial brasileira tem investido em treinamento e certificação junto à IATA para emissão de conhecimento aéreo, um segmento que permite mais margens do que o marítimo hoje em dia, preso a fretes pouco competitivos. Para o segundo semestre, a empresa espera já ter concluído o processo de certificação, e implantar o sistema global de rastreamento de cargas especialmente desenvolvido para o grupo.

Empolgado com os planos para o futuro, Leocadio afirma que os momentos de incerteza por que vem passando o mercado chegaram a inibir muitos investimentos e paralisar as ações, porém acredita que hoje, após o impeachment da Presidente Dilma Rousseff, já se possa dizer que “o empresariado ganhou uma certa dose de confiança, entendendo que que pode voltar a planejar, com uma visão mais clara”.

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