Repaginada, nasce um novo braço nos transportes: a FTA Transportes

Em entrevista exclusiva ao Guia Marítimo, Milton Lourenço falou sobre a companhia e o cenário brasileiro

Substituindo a antiga Fiorde Cargo, chega ao mercado a FTA Transportes. A companhia que já conta com 150 profissionais, além de uma ampla e moderna frota com mais de 50 veículos, entre caminhões-baú e porta-containers, todos rastreados por satélite e equipados com aparelhos Nextel. Além disso, mantém uma equipe de monitoramento interno, com atualização constante do status da carga em seu sistema ERP, o que garante a segurança da mercadoria.

De acordo o Milton Lourenço, presidente da companhia, a empresa trabalha com todo tipo de carga, inclusive refrigerada de alimentos e medicamentos. “Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor, como, por exemplo, a precariedade de estradas e rodovias, além do baixo nível de segurança e infraestrutura logística para o escoamento e armazenagem da produção nacional, as perspectivas para o setor de transporte rodoviário de cargas, em geral, são positivas”, salienta.

Em entrevista exclusiva ao Guia Marítimo News, o presidente da FTA Transportes comentou sobre o atual momento do Brasil, as expectativas e resultados da companhia e novos investimentos.

De onde surgiu a ideia de criar essa empresa de transportes?

A FTA Transportes substitui a antiga Fiorde Cargo, empresa que estava no mercado havia 27 anos. Criamos esse nome para desvincular a nova empresa da Fiorde Logística Internacional, companhia-gênese do grupo, que atua desde 1985 e hoje é uma das mais modernas empresas prestadoras de serviços do setor de comércio exterior, com escritórios nos principais portos e aeroportos do País, atuando como assessoria e despachos aduaneiros de importação e exportação e agenciamento de cargas (freight forwarder) aéreas e marítimas, além de operar como NVOCC (Non Vessel Operator Common Carrier) e armazenamento.

Quais os serviços oferecidos pela companhia?

Com essa estrutura, a empresa trabalha com todo tipo de carga, inclusive refrigerada de alimentos e medicamentos com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Está também capacitada para atender às exigências do Exército para o transporte de armamentos e correlatos. Atuando em todo o território nacional, a FTA Transportes traça as melhores rotas para garantir o melhor custo-benefício. Com vasta experiência na entrega dos mais variados materiais em todo o País, conta com filiais em Santos e Belo Horizonte e escritórios de apoio nos aeroportos internacionais de Guarulhos e Viracopos. É também especializada no transporte de containers, garantindo a maior eficiência na movimentação do material, de forma rápida e segura.

O setor rodoviário traz diversos obstáculos e vemos todos os entraves que ele ainda tem pela frente. Quais as expectativas? O que precisa ser mudado?

Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor, como, por exemplo, a precariedade de estradas e rodovias, além do baixo nível de segurança e infraestrutura logística para o escoamento e armazenagem da produção nacional, as perspectivas para o setor de transporte rodoviário de cargas, em geral, são positivas. Como se sabe, o setor responde por aproximadamente 61,1% da matriz de transporte do País contra 20,7% do transporte ferroviário, 13,6% do aquaviário, 4,2% do dutoviário e 0,4% do aéreo, segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Estudo recente da CNT sobre a situação das rodovias mostrou como o custo de logística pode ser encarecido em até 40% em razão da má qualidade da infraestrutrura rodoviária do País. Segundo o estudo, ao final de 2015, só cerca 200 mil quilômetros de rodovias, de um total de 1,8 milhão, estavam pavimentados. Ora, se o modal rodoviário é o mais utilizado, é de se imaginar o que o País perde por apresentar uma malha rodoviária que, em muitos Estados, nada fica a dever à dos países mais pobres do mundo. Apesar de tudo o que se tem discutido em seminários e congressos, a matriz de transporte brasileira, dificilmente, será alterada, a médio prazo, em razão da grande extensão territorial do País e da diversidade na produção nacional de produtos básicos, como commodities agrícolas, metálicas e minerais. Além disso, registra-se baixo nível de desenvolvimento em outros modais, como, por exemplo, ferroviário e aquaviário, ao mesmo tempo em que é sofrível também o nível de investimentos no transporte aéreo, seja em máquinas e equipamentos, seja na infraestrutura dos aeroportos.

Quais as expectativas e quais os resultados já alcançados?

Como se sabe, nos últimos anos, em razão de uma política externa que misturava ideologia com comércio, o Brasil continuou, praticamente, paralisado e isolado. Por isso, o que se espera agora é que o governo interino de Michel Temer procure uma reaproximação mais intensa com o mercado norte-americano e procure levar de vez o Mercosul a um acordo com a União Europeia, depois de quase 16 anos de negociações infrutíferas.

Basta ver que, em 2002, 16% do comércio exterior brasileiro eram executados com os países do Mercosul e, hoje, essa porcentagem mal chega a 9%. Parece claro que o Brasil hoje paga a conta provocada por seus próprios erros.

Ao mesmo tempo, o governo brasileiro fez vistas grossas ao que se passava no resto do mundo. Como reverter essa situação? Além de excluir a influência político-partidária da questão comercial, é preciso, em poucas palavras, acabar com esse isolamento. Mais: é fundamental reduzir o custo Brasil para incentivar as exportações. Ou seja, é preciso diminuir a carga tributária, melhorar a infraestrutura logística e praticar isonomia nos incentivos fiscais.

É possível falar de investimentos e novos projetos para este ano?

Por enquanto, há entre o empresariado muita expectativa, mas pouca disposição para o investimento. Mas há mais otimismo porque, agora, é possível ver que a política de comércio exterior deixou para trás o amadorismo com que foi conduzida nos últimos 13 anos. Há um comportamento mais profissional, mais sério, por parte do governo interino. Afinal, é fundamental investir na reaproximação comercial com os EUA.

Exportando menos, sem reservas em caixa, o País sofreu em 2015 a segunda maior queda de importações entre as grandes economias. Uma queda que, segundo a OMC, ainda deve perdurar em 2016. Com a contração na economia, o impacto foi sentido pelo setor industrial que deixou de importar nos níveis dos últimos anos. A desvalorização do real ainda pesou, obrigando setores a substituir produtos importados por nacionais. Portanto, o que se espera é que, com a retomada das exportações para os EUA, as importações também cresçam, aumentando a participação do País no comércio mundial.

Com essa crise que assola o Brasil, como é inserir uma “nova empresa” no mercado?

Esse é o desafio. No nosso caso particular, não estamos colocando uma nova empresa no mercado, mas dando continuidade ao trabalho que já vinha sendo desenvolvido por outra desde 1989. Seja como for, o Brasil vai continuar a importar e a exportar em grande quantidade e a tendência é que os números cresçam. Para isso, é preciso passar para o exterior uma imagem de seriedade, de um ambiente saudável de negócios e não a de um país mergulhado em corrupção.

 Você acredita que a crise traz oportunidades? Essa empresa seria uma?

Tradicionalmente, os tempos de crise trazem também oportunidades. É preciso saber aproveitá-las. A nossa nova empresa, com certeza, nasce de olho nessas oportunidades.

Quais as expectativas para o Brasil em 2016? Acredita em uma retomada da economia no médio prazo?

A crise política e econômica que tomou o Brasil em 2016 dificulta qualquer previsão para 2017 ou 2018. Aliás, o único consenso é que a turbulência vai continuar, mas a sensação que temos é que o pior já passou. Foram mais de 13 anos de incompetência administrativa e a pior recessão desde 1929. Por isso, o fim da crise continua imprevisível. O quadro na economia continua pouco otimista. Sem reformas, os problemas do desemprego e da inflação tendem a continuar graves. Outros números são mais otimistas. O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), por exemplo, prevê para 2017 um superávit de US$ 35 bilhões na balança comercial, puxado pela maior exportação de grãos e pela desvalorização cambial. O resultado deve ser muito superior ao deste ano, que pode chegar a 17 bilhões de dólares. Obviamente, isso significa mais trabalho para o transporte rodoviário de cargas.


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