PAM do Porto de Santos apresenta proposta de aprimoramento

A reestruturação prevê avaliação de performance dos terminais na prevenção de acidentes e auditorias para verificação dos itens de segurança, além de classificação dos brigadistas e outras equipes de apoio de acordo com cada situação de emergência



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Uma semana depois do incêndio que acometeu o terminal da Localfrio no Guarujá, os integrantes do PAM (Plano de Auxílio Mútuo do Porto de Santos) estiveram reunidos no dia 21 de janeiro, nas instalações da Codesp, para tratar de proposta visando a alteração de sua estrutura de funcionamento e o aprimoramento dos procedimentos de prevenção e atendimento a situações de emergência na área do Porto Organizado. Estão representados no PAM a Codesp, a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, as prefeituras de Santos e Guarujá, a Cetesb, o Ibama, a Capitania dos Portos e os terminais portuários.


O diretor presidente da Codesp, Alex Oliva, abriu a reunião afirmando que todos os órgãos integrantes do PAM devem trabalhar juntos, “agir em sincronia, alinhando procedimentos para atingir resultados eficazes”. O PAM visa o atendimento, de forma integrada, a ocorrências de emergência que possam acarretar danos às pessoas, ao patrimônio e ao meio ambiente. Suas reuniões são mensais e visam um processo evolutivo dos sistemas de segurança, através da atuação conjunta de todos os envolvidos.


No caso do terminal da Localfrio, o incêndio foi controlado 37 horas após o início do vazamento de gás, de acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros, Eduardo Nocetti Holms. “Agora, nós iremos fazer a desmobilização das equipes. Os trabalhos foram concluídos", disse.

Durante os trabalhos, 22 bombeiros e 4 brigadistas tiveram precisaram de atendimento médico por conta do incêndio, e uma senhora veio a falecer após ser internada com intoxicação causada pela inalação dos gases.


Em seguida, as autoridades se reuniram para decretar o encerramento do gabinete de crise, que envolveu diversos órgãos do setor público, chegando ao consenso de que a situação já poderia ser considerada como controlada, e os moradores, novamente em segurança.


Em nota para a imprensa, a Localfrio afirmou, na sexta-feira (15), que o incêndio havia sido controlado. A empresa removeu os contêineres depositados no entorno do local onde ocorreu o sinistro a fim de evitar novos focos, enquanto o Corpo de Bombeiros realizava o trabalho preventivo de resfriamento dos contêineres, sem o uso de água, que se estenderia durante todo o final de semana. Após a contenção do incêndio, o Corpo de Bombeiros contabilizou que, do lote de 85 contêineres do pátio, 50 pegaram fogo, sendo que alguns ficaram completamente danificados.


Para tornar mais eficaz o trabalho preventivo e o atendimento às emergências, a proposta do PAM envolve a divisão do Porto em sete áreas: Alemoa, Saboó, Outeirinhos A, Outeirinhos B, Ponta da Praia, Ilha do Barnabé e Margem Esquerda do Estuário. Cada uma delas contará com um coordenador. A divisão das áreas foi determinada pela proximidade entre os terminais e tipo de cargas operadas, facilitando a definição das melhores estratégias para a solução de problemas decorrentes de acidentes. Em cada uma dessas áreas, está prevista a realização de exercícios simulados de combate a incêndios.


A reestruturação do PAM prevê, também, avaliação de performance dos terminais na prevenção de acidentes e auditorias para verificação dos itens de segurança. Será feita, ainda, classificação dos brigadistas, em conformidade com o treinamento recebido, objetivando agilizar seu encaminhamento, de acordo com cada situação de emergência. Outra medida a ser tomada é a padronização dos registros de materiais e ações, visando conhecer e controlar a quantidade exata de material e recursos humanos disponíveis para serem utilizados em situações de emergência.


Outro ponto a se destacar é o envolvimento da comunidade nos planos de emergência. “Temos que ampliar as informações para as comunidades que vivem no entorno dos terminais, prestando esclarecimentos sobre as atividades dos terminais, os riscos envolvidos e os procedimentos a serem adotados em situações de emergência”, afirma a Superintendente de Meio Ambiente e Segurança do Trabalho, Márcia Jovito.


A reestruturação do Plano de Auxílio Mútuo vai revisar os protocolos de segurança, definindo planos de ação, rotas de fuga e de acesso, bem como pontos de encontro, tanto para os trabalhadores dos terminais e órgãos de segurança, quanto para brigadistas e também população do entorno. Encontram-se em fase de aprovação novas orientações sobre segurança a serem implementadas através de instrumento normativo que será baixado pela Autoridade Portuária. Enquanto isso, a coordenação do órgão atua no planejamento dos simulados previstos e nas avaliações de desempenho.

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