Com a promessa de finalizar em 2011 o PNLP (Plano nacional de Logística Portuária), A SEP (Secretaria Especial dos Portos), responsável pelos estudos do plano, espera poder ter em mãos um diagnóstico completo e uma estimativa de demanda portuária até 2030. A iniciativa irá traçar um panorama portuário e, segundo o ministro dos Portos, José Leônidas Cristino, em 2012, qualquer projeto ou iniciativa envolvendo os portos brasileiros terá que se basear neste documento, que não só permitirá ao governo o planejamento dos complexos para os próximos 20, 30 anos, mas também a iniciativa privada, que passa a ter maior segurança e confiança.
De acordo com o diretor de Sistema de Informações Portuárias da SEP, Luis Claudio Montenegro, o Plano define um planejamento estratégico com alternativas de ações governamentais para o seu desenvolvimento no curto, médio e longo prazo. “A iniciativa, é um marco na retomada do planejamento para o setor portuário brasileiro, com a definição de ações coordenadas que permitirão de forma sistêmica a expansão da capacidade portuária, o aprimoramento do arranjo institucional do setor e a melhoria da gestão portuária nacional”, diz.
De fato, o PNLP trará uma radiografia da atual condição do setor e os gargalos que devem ser desobstruídos. E de uma forma geral, representantes de alguns dos principais Portos do País reconhecem essas deficiências. Robert Grantham, diretor-executivo do Porto de Itajaí, por exemplo, critica os acessos terrestres aos portos e a legislação, que, para ele, é extremamente confusa. “Uma simplificação e uma melhor definição dos papéis de cada autoridade intervenientes seria um grande passo para a efetiva inserção dos portos brasileiros no competitivo mundo globalizado”, sustenta.
Cenário
Mas 2012 não conta só com esses obstáculos e expectativas de melhorias. Trata-se de um ano em que há incertezas econômicas e temores quanto aos seus efeitos no comércio exterior. Com 34 portos, o Brasil, hoje, possui a maior parte de suas exportações e importações via transporte marítimo e uma movimentação de cargas que vem crescendo fortemente nos últimos anos acompanhando o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) nacional e, segundo a Antaq (Agência Nacional de Transporte Marítimo), considerando tudo isso, tanto em toneladas quanto em reais, o reflexo de uma crise externa, como a que está ocorrendo desta vez na Europa, certamente afetará a corrente de comércio brasileira.
“A recuperação da movimentação pelos portos organizados em relação à crise americana foi bastante heterogênea, considerando-se suas relações comerciais com países tais como a China e Estados Unidos. Quanto mais afetado pela crise mundial, maior a redução na corrente de comércio com outros países, e, consequentemente, menor o uso dos portos. Ainda com relação às exportações, analisando-se os dados do acumulado em 12 meses finalizados em agosto de 2011, entre os 10 maiores portos, 5 estão com movimentação superior à movimentação pré-crise de 2008 (os 10 maiores portos respondem por mais de 94% das exportações realizadas por portos organizados)”, afirma a Agência.
Robert Grantham, também enxerga a crise com preocupação. Para ele, além da recessão, a redução da atividade industrial pode ter um efeito sobre a atividade, na medida em que possa haver retração na importação. “O Brasil não é uma ilha isolada no planeta e hoje, mais do que nunca, está profundamente inserido na economia global. Assim sendo, vemos com certa preocupação a desaceleração da economia europeia, um dos principais mercados do porto”, afirma.
O superintendente dos portos de Paranaguá e Antonina, Airton Vidal Maron, é sucinto: “O Brasil está inserido na economia mundial e quando Europa e Estados Unidos enfrentam uma crise, mais cedo ou mais tarde nós também sofreremos os impactos”, diz.
Andrezza Queiroga






