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Projetos na África retomam força


A África, o continente menos desenvolvido do mundo, está atraindo crescente atenção por parte dos maiores países fabricantes em busca de recursos naturais e mercados para suas exportações.

Liderando a procura está a China, responsável por patrocinar ou se envolver em mais de 77% de todos os projetos na África, de acordo com o diretor de projeto da TransProjects Ásia, Hua Wallace Cai.

A China está focando na África devido à necessidade de obter recursos naturais, mas este é um fenômeno novo, disse Wallace. Empresas chinesas de engenharia e construção têm trabalhado na África desde 1950. Além da busca por recursos, a África é um importante mercado para as exportações chinesas e fonte de empregos.

"Empresas europeias e americanas, tais como a Bechtel, também têm operações importantes na África e muitas vezes buscam materiais e equipamentos chineses", disse Zhou Hui, gerente de transporte e logística da Bechtel China.

Mas os serviços breakbulk entre a China e África são, na melhor das hipóteses, irregulares. "De acordo com as informações que temos, algumas vezes as condições do navio não são boas. Os navios são velhos ou sujos e chegam com atrasos", disse Zhou.




Disputas comerciais agitam nações sul-americanas


Com a queda do crescimento econômico e o crescente descontentamento das populações, os líderes esquerdistas da Argentina e Venezuela decidiram limitar o comércio com seus vizinhos e estão culpando-os por vários problemas, desde o declínio na produção industrial até o aumento do tráfico de drogas.

Consequentemente, as disputas comerciais estão mudando os fluxos estabelecidos de cargas breakbulk e de projetos, já que a Venezuela está se voltando para a Argentina e o Brasil para preencher a falta de carros e maquinário colombianos. Por sua vez, o Brasil faz retaliação ao crescente protecionismo argentino.

Enquanto a Argentina parece se beneficiar do conflito entre Venezuela e Colômbia, Buenos Aires também está tendo conflitos comerciais com seu principal parceiro e vizinho, o Brasil. Por enquanto, a disputa tem poupado as cargas breakbulk, mas isso pode ter consequências duradouras se o embate continuar a piorar.

O afastamento entre os dois países está crescendo e o comércio bilateral caiu quase 32%, para US$ 16,2 bilhões, nos primeiros meses de 2009 em relação ao mesmo período de 2008.

O conflito surgiu no final de 2008, quando a Argentina impôs tarifas sobre quase 15% das importações do Brasil, alegando que precisava proteger a indústria local durante a recessão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicialmente resistiu à pressão para adotar retaliações. Mas em outubro o governo brasileiro impôs restrições sobre trigo, frutas, vinhos e algumas importações de máquinas da Argentina e limitou as importações de bens manufaturados, tais como brinquedos, pouco antes do Natal.

Uma reunião recente entre a Argentina e Brasil não conseguiu quebrar o impasse. Por enquanto, os embarcadores de breakbulk acreditam que as indústrias automotivas dos dois países estão muito integradas e são muito valiosas para serem submetidas a restrições comerciais - quase 90% dos carros fabricados na Argentina são exportados para o Brasil, por exemplo.

"Na realidade, esta disputa tem sido principalmente sobre outros tipos de produtos, como sapatos, vestuário, leite condensado, trigo e cargas de grãos. Nosso setor não sofreu impactos até agora", diz Carlos Morino, representante comercial da Intermarine na Argentina.




Hora de ganhar o dia


Para aqueles que têm nervos de aço, agora é a hora de aproveitar as oportunidades no setor de shipping. "O pior da recessão já passou", diz Tom Kim, diretor executivo de transportes regionais da Goldman Sachs Ásia. Apesar dos "ventos favoráveis", o crescimento global deve ficar no patamar de 4,5% a 4,6% pelos próximos dois anos, diz ele, sendo que os países em desenvolvimento devem ficar acima deste patamar e os desenvolvidos, um pouco abaixo.

"Haverá oportunidades de aumentar fatias de mercado enquanto os concorrentes ficam sentados", afirma Kim. "Empresas com recursos humanos e financeiros podem se posicionar bem para a recuperação que estamos antevendo".

Mesmo com o PIB dos países desenvolvidos encolhendo em 2009, os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) apresentaram um crescimento médio de 5%, impulsionados por demandas cíclicas e estruturais, disse Kim. Essas regiões estão construindo rapidamente infraestruturas urbanas e industriais e têm classe média em ascensão - ansiosas por melhorar seus padrões de vida.

A China, o maior exportador mundial e o terceiro maior importador, é a "estrela" do BRIC, disse Kim. Enquanto a recessão castigava o resto do mundo, o PIB chinês cresceu 9,6% em 2008 e estima-se um aumento de 8,7% em 2009. Para este ano, a expectativa é um crescimento de 11,4% e de 10% para 2011, impulsionado pelo aquecimento interno e recuperação das exportações.

Há poucas chances de a "bolha chinesa" estourar, diz Kim. "A demanda final é real. Eles não estão construindo pontes para lugares inexistentes. Sempre existem períodos nos quais a demanda causa preços preocupantes, mas isso é função de volatilidade e preços de curto prazo". Apesar de os altos custos de material poderem se tornar um problema, a inflação na China deve continuar aceitável, ele diz.