Maior eclusa do mundo é inaugurada pelo rei Phillipe em Antuérpia

Com a nova Kieldrecht Lock, o Porto de Antuérpia pretende triplicar a movimentação no canal e diminuir esperas na entrada para a Europa

Ao pressionar um botão vermelho cinematograficamente instalado diante da eclusa recém construída no Porto de Antuérpia, o Rei Philippe da Bélgica inaugurou na última sexta-feira o canal que promete melhorar os acessos e diminuir a espera dos navios que chegam à Europa pelo gigantesco complexo portuário.

Quinze dias antes da inauguração da expansão do canal do Panamá que vai mudar as rotas das Américas (prevista para 26 de junho), a Europa também se prepara para os novos navios, que vão exigir mais calado, equipamentos eficientes e sobretudo uma linha complexa de distribuição muitlimodal.

Embora a Bélgica não tenha, nem de longe, mercado suficiente para absorver o volume maciço de cargas que entram e saem pelo segundo maior porto (atrás do vizinho Roterdã, apenas 120 km adiante), é a rede multimodal que o distingue como ponto estratégico de distribuição para o continente europeu.

No porto que segue o curso do rio Scheldt, do qual toma emprestadas as margens para ampliar a costa marítima, estão instaladas uma série de indústrias, especialmente petroquímicas, mas a administração portuária deixa claro que está bastante receptiva a novos inquilinos. Em parceria com a administração pública da Bélgica e o European Bank of Investment, o porto vem investindo pesadamente não apenas nos acessos como também em treinamento e outros incentivos para a consolidação do hub intermodal.

Assim como é expressiva a movimentação de carga (em 2015, o porto movimentou 199 milhões de toneladas), a história de Antuérpia é bastante peculiar. Temendo as invasões da França e Alemanha, o país manteve fechado o acesso ao rio por 300 anos, até que Napoleão Bonaparte encomendou a construção da primeira eclusa, em 1811, reconhecendo o potencial dos 80 km de acesso fluvial à costa do Mar do Norte.

A nova construção, inaugurada com pompa e circunstância pela administração portuária, já prevê o acesso dos meganavios e vai permitir que o porto realize obras de dragagem e manutenção nas eclusas atualmente utilizadas, que ficaram estreitas e têm gerado gargalos ao porto. O valor investido na obra chegou a € 382 milhões, dos quais € 160 foram financiados pelo EIB (European Investment Bank), € 81 vieram de linhas de crédito do KBC Bank e o restante, dividido entre fundos da própria Administração Portuária e o governo da Antuérpia.

Outros números do empreendimento, apresentados pelo Chairman Mark Van Peel, traduzem a grandiosidade da obra: construída num prazo de menos de 5 anos com 22 mil toneladas de aço estrutural (três vezes mais que a Torre Eiffel), a Eclusa Kieldrecht é a maior do mundo, com 500 metros de comprimento, 68 metros de largura 17,8 metros de profundidade. A aposta do Porto de Antuérpia é triplicar o movimento nas docas de Waasland, na margem esquerda do rio Scheldt, oferecendo um canal secundário de acesso.

Para o Brasil, o Porto de Antuérpia é uma importante via de entrada para a Europa, com convênios firmados para educação, treinamento e incentivos, como o estabelecido pelo Porto de Santos durante a Feira Intermodal South America (Leia no Guia). Acompanhe, nesta semana, as reportagens especiais do Guia Marítimo sobre a importância do Porto de Antuérpia para o intercâmbio comercial entre o Brasil e a Europa.


Assista na página do Facebook do Grupo Guia à saída do navio Grande Lagos, da Grimaldi, que inaugurou a Kieldrecht Lock e veja também o Video Oficial da Autoridade Portuária de Antuérpia. 




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