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Painel Guia Marítimo: perspectivas sobre o Brasil, em meio a notícias tristes e desencorajadoras

Com cobertura especial do Guia Marítimo, na última semana, foi realizada a TOC Americas, em Cancun/México, um dos principais eventos internacionais do setor de transporte e logística. Em sua 16ª edição, o evento, que é organizado pelo Informa Group com sede em Londres/UK, foi dividido em duas áreas: uma dedicada a estandes com expositores, e outra com auditório para conferências, onde o público de cerca de 300 pessoas participou dos já famosos painéis de discussões com os quase 70 palestrantes do evento, entre os quais alguns dos mais renomados e influentes líderes mundiais do setor, sejam esses executivos ou acadêmicos.

Convidado pela organização do evento a elaborar um dos painéis, mediado por Martin von Simson, o Guia Marítimo gentilmente me estendeu o convite, reforçando o time que viria a traçar um panorama político-econômico do Brasil, trazer um raio-x do comércio exterior e da infraestrutura logística em nosso país e, principalmente, demonstrar oportunidades aos investidores presentes no evento.

De maneira resumida, pode-se dizer que, no primeiro dia do evento, representantes do FMC, K&N, CEPAL, MSC, Hamburg Sud, APL, entre outros, trataram das mudanças que as novas tendências para o setor de transporte marítimo estão trazendo para toda a cadeia logística, notadamente para os terminais e exportadores/importadores. Entre os principais assuntos tratados ao longo desse dia estavam o impacto nas Américas do crescimento do tamanho dos navios, das grandes alianças entre armadores, da inauguração da novo canal do panamá, do VGM, do atual processo de Fusões/Aquisições dos armadores, assim como, a "falência" da Hanjin.

No segundo dia, vimos representantes da Maersk, APM Terminals, Standard & Poors, Panamá University, Latinports, Guia Marítimo, entre outros, tratarem do desenvolvimento econômico e político e das expectativas para o México e do Brasil, da evolução e dos investimentos nos portos das Américas e das tendências para a cadeia logística das cargas refrigeradas.

Já o terceiro dia foi mais dedicado a tecnologia, automação portuário, big data, compartilhamento de dados e a "digitalização" dos portos como um instrumento vital para o gerenciamento integrado da cadeia logística visando maximizar o planejamento desde a origem até o destino para, com isso, minimizar riscos e custos, e ganhar tempo.

Durante o painel dedicado à situação brasileira, falamos por mais de uma hora e, ao final, o principal feedback que recebemos de pessoas das mais diversas partes do mundo foi de que é muito bom ouvir boas perspectivas sobre o Brasil, já que tudo o que se vê ultimamente são notícias bastante tristes e desencorajadoras. Uma das informações que mais impressionaram as pessoas foi robusto crescimento em termos de volume das exportações brasileiras, num momento que os volumes mundiais estão "patinando" (Brasil: líder em crescimento do volume de exportações).

Ao final dos três dias profunda imersão e intenso aprendizado sobre transporte e logística, seja nas conferências, nos almoços, jantares, coffee-breaks ou pelos corredores, fiquei com a sensação de que nem mesmo os grandes profissionais desse setor conseguem prever ao certo onde é que essa transformação do setor vai parar ou que nem todos estão muitos convencidos (ou pelo menos não querem acreditar) dos efeitos da "4ª Revolução Industrial" para esse setor ou, ainda, que muitas empresas ainda estão tentando entender como tirar o maior proveito possível da infinidades de dados que estão sendo gerados ao longo da cadeia logística. Contudo, o que me deixou mais satisfeito foi perceber que estamos trazendo aqui para essa coluna grande parte dos debates que estão em pauta no cenário internacional.

Gostaria de aproveitar a oportunidade para reforçar meus agradecimentos a TOC Americas e ao Martin Von Simson pelo convite para palestrar e ao pessoal da consultoria Parallaxis, também colaboradora do Guia Marítimo, que me ajudou com dados e indicadores econômicos.

Escrito por:

Leandro Barreto

Administrador de empresas, especializado em economia internacional pela Universidade de Grenoble e em Inteligência Competitiva pela FEA/USP. Há mais de dez anos atuando no segmento, foi gerente de Inteligência de Mercado na Hamburg-Süd, professor pelo IBRAMERC e Diretor de Análises da Datamar Consulting. Atualmente, coordena projetos independentes de consultoria com forte atuação junto a armadores, autoridades portuárias, embarcadores e entidades públicas voltadas para o desenvolvimento do setor portuário.



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