Em 2015, empresas de transporte e logística apostaram nas fusões

Fusões e incorporações entre grandes e pequenas empresas foi praticamente uma moda no final do ano passado. Nos primeiros nove meses de 2015, o mercado já havia batido o recorde de 9 anos, de acordo com pesquisa global da PwC americana


O número de acordos de fusões e incorporações entre grandes e pequenas empresas foi praticamente uma moda no final do ano passado. Mal tivemos uma única semana do ano sem encontrar nos noticiários uma aquisição, ou um novo acionista majoritário, uma fusão com ou sem ativos envolvidos ou operações semelhantes dentro do mercado de transportes e logística. O número de acordos realizados no ano já havia batido o recorde de 9 anos nos primeiros nove meses de 2015, de acordo com uma pesquisa global da PwC americana, antiga PricewaterhouseCoopers.

Fusões e incorporações de todos os tipos atingiram um recorde global em 2015, chegando a US$ 4,3 trilhões já no início de dezembro, de acordo com a empresa de softwares e informações Dealogic, de Nova York. Dos cinco meses registrados na história como os mais movimentados em volume de operações conjuntas, três pertencem ao ano de 2015: novembro, outubro e julho (os dois outros aconteceram em 2007). Em novembro, a marca total de negociações ultrapassou os 4 trilhões de dólares quando a Visa assumiu a Visa Europe em novembro, de acordo com a Dealogic. Só nos Estados Unidos, a atividade passou dos US$ 2 trilhões em setembro.

Em 2016, a tendência não deve se perder: com o dólar forte, diversas empresas americanas devem aproveitar as oportunidades para apostar nas aquisições, em busca de expandir seus mercados, ampliar a gama de serviços oferecidos, cortar custos e angariar novos talentos. No ramo de Transportes e Logística (T&L), especialmente, empresas “asset-right”, com ativos já começam a substituir as “asset-light”, sem ativos, com foco no risco de perder a capacidade operacional.

Temos acompanhado no mercado de T&L hoje em dia dois tipos principais de aquisições de empresas. Uma delas acontece com o objetivo de consolidar mercados e aumentar a lucratividade. E a outra serve ao propósito de expansão para novos mercados e novos serviços. Com exceção do mercado de navegação, a maioria das fusões pertence à última categoria, uma vez que as empresas de logística que têm mais liquidez utilizam seus recursos para comprar outras e aumentar seus ganhos.

No terceiro trimestre de 2015, seis mega-acordos foram fechados envolvendo cifras acima de US$ 1 bilhão, segundo o relatório da PwC americana, incluindo a aquisição da Industrial Income Trust pela Global Logistics Properties, que aconteceu em julho e alcançou o valor de US$ 4,6 bilhões, dobrando a capacidade de armazenagem da empresa nos Estados Unidos. Graças à operação, a GLP é hoje a segunda maior operadora de logística e proprietária de ativos imobilizados do país.

Os números:

- No Segundo trimestre, houve nove mega-acordos entre empresas de T&L.

- 61 transações ultrapassaram a casa dos US$ 50 milhões

- No primeiro semestre de 2015, não apenas as 116 transações já haviam ultrapassado a marca total do ano anterior (101) como o valor negociado já superava o total de 2014 em 56%.

Apesar de tentador acreditar que onda de aquisições tenha ocorrido por um determinado motivo, cada segmento teve as suas razões próprias para prosseguir com os acordos. Na indústria de navegação de contêineres, por exemplo, o que levou o mercado a optar pela consolidação foi a supercapacidade, e prejuízos do setor, que decidiu diminuir o número de transportadores ou eliminar capacidade. A francesa CMA CGM, terceiro maior armador do mundo em capacidade de frota, fechou um acordo em dezembro para compra da NOL e sua divisão de navegação da APL. Em um espaço de dias, o governo chinês autorizou a fusão já tão aguardada dos dois maiores grupos do país — Cosco e China Container Shipping Lines. Rumores sobre uma possível junção entre Hanjin Shipping e Hyundai Merchant Marine na Coreia do Sul também ainda não foram totalmente esquecidos, embora as empresas já tenham suspendido as negociações.

Em março do último ano, também a Hamburg-Süd adquiriu a divisão de contêineres da filial chilena da CSAV, até que, em novembro, a Crowley Maritime concluiu a compra da SeaFreight Line, SeaFreight Agencies e SeaPack — empresas de logística e navegação que atendem a Flórida, o Caribe, América Central e do sul. Em maio, a Matson comprou a Horizon Lines por US$ 469 milhões, ganhando terreno no serviço americano que atende a região do Alaska.

Fusões do porte da NOL pela CMA CGM tendem a revolucionar o mundo da nevegação, com impacto sobre as maiores alianças estabelecidas no mercado. A cosolidação é o tema principal do mercado, que vem sendo considerado fragmentado. Com os novos navios gigantes ganhando território e os fretes em franca depressão, a lucratividade do segmento também anda comprometida.

Nos demais modais, os Estados Unidos também tiveram negociações importantes, como a oferta de US$ 28 bilhões feita pela Canadian Pacific à Norfolk Southern, (o que lhe garantiria nada menos do que uma malha ferroviária total de 56 mil quilômetros entre o Canadá e o Golfo do México). No caso das ferrovias, o que levou a empresa a realizar a proposta de compra não foi a supercapacidade, mas sim problemas com o serviço e energias. A NS rejeitou a oferta, no entanto, alegando que uma fusão no setor ferroviário poderia causar entraves regulatórios, no entanto o mercado entende que a CP ainda não desistiu da ideia.

No setor rodoviário, por sua vez, no qual há milhares de operadores, a consolidação de empresas já carrega outro propósito, que seria de ganhar escala e abrir novos mercados, conectando serviços domésticos e internacionais.

A PwC Americana também identificou oportunidades no mercado internacional que deverão seguir a tendência de 2015. Assim como a XPO conquistou territórios na Europa, a Suíça Kuehne + Nagel Group, segunda maior 3PL do mundo, adquiriu a ReTrans, uma empresa sem ativos de agenciamento de transportes multimodais com base em Mênfis, EUA, com faturamento anual de US$ 500 milhões. O acordo possibilitou à K+N’s atuar para além dos portos americanos, para atender à indústria local.

No segmento de carga expressa, a FedEx oficializou uma proposta de US$ 5 bilhões para a compra da divisão europeia da TNT, para a qual aguarda a revisão da Comissão Europeia, prevista para acontecer ainda neste mês. A gigante UPS fez a maior aquisição de sua história em 2015, com a compra da Coyote Logistics por US$ 1,8 bilhão.

Acordos bilionários como esses vão ganhando a atenção da mídia e de Wall Street, porém milhares de pequenas aquisições não tão aclamadas vêm acontecendo, e igualmente remodelando todo o mercado de logística.

As fusões e incorporações ganharam força e velocidade em 2015, mesmo diante de um cenário lento da economia mundial, uma vez que, por meio das operações, as companhias enxergam a possibilidade de botar a sua lucratividade para trabalhar. Embora se espere um declínio de ofertas em 2016, enquanto os mercados vão digerindo as últimas resoluções estruturais, a dinâmica geral não tende a mudar muito enquanto o dólar americano continuar forte, o preço do petróleo permanecer baixo e o crescimento mundial se mantiver refreado. E, assim que as aquisições estiverem bem acomodadas no mercado, a expectativa geral é de que os operadores de transportes e logística se restabeleçam e saiam em busca de novas oportunidades.

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