Raio-X das mercadorias conteinerizadas no Porto de Santos: O que 2025 revela em peso?
Quando se analisa a estatística portuária de contêineres, de forma aberta e por mercadoria (não apenas por contêiner/TEU), o estudo passa a ser um painel econômico. Ao verificar a movimentação por classe de produto e, em toneladas, é possível ver o porto como uma representação física da economia: o que a indústria compra, o que o agro exporta, o que o consumo puxa e onde a logística “range”.
Em 2025, o Porto de Santos registrou números relevantes na movimentação, com mudanças claras em quatro frentes: agroexportação, cadeias químicas, energia/insumos e bens manufaturados.
No topo do volume, em 2025, aparecem grandes blocos já “estruturais” do porto: produtos químicos orgânicos (7,004 milhões t), açúcar (2,493 milhões t), algodão (2,257 milhões t), café (1,947 milhão t) e carne bovina (1,643 milhão t). O destaque aqui é que Santos segue como um hub de alto giro e valor agregado, onde o contêiner funciona como base para cadeias longas, sensíveis a prazos e qualidade.
No recorte 2024/2025, porém, o mais interessante é separar “o crescimento percentual” do “impacto absoluto em toneladas”. Tenha-se o carvão mineral como exemplo: +1445% (de 94 para 1.456 t), porém, adiciona cerca de +1,4 mil t na movimentação total.
Já os avanços do óleo de origem vegetal (+231 mil t) e do algodão (+232 mil t) sugerem fortalecimento do mix exportador conteinerizado. Eles representam cadeias que demandam coordenação fina entre armazenagem, programação de navios e gestão de pátio pois, variações de janela e pico de entrega aparecem rapidamente no porto.
Entre outros aumentos relevantes, aparecem também: produtos diversos da indústria química (+257 mil t, de 1.364.348 para 1.621.350), etanol (+37 mil t, de 105.016 para 142.099), carne suína (+33 mil t, de 30.023 para 63.321) e combustíveis/óleos/produtos minerais (+33 mil t, de 51.326 para 84.547). No grupo de insumos, os fertilizantes (misturas) crescem +36% (de 91.616 para 124.570).
No grupo dos produtos altamente industrializados e de maior valor agregado, as motocicletas sobem +113% (de 18.241 para 38.844 t – equivalente à 1.273 unidades) e, ainda que não seja um “gigante”, é um ótimo contraponto: mostra que a pauta conteinerizada também responde a ciclos de consumo, reposição de estoque e disponibilidade de cadeias globais.
Um capítulo que merece atenção específica é SEM CARGAS (contêiner vazio), que aumenta de 2.556.673 para 2.951.894 t (+395 mil t – equivalente a 208.000 TEUs). Esse número costuma sinalizar desequilíbrio de fluxos, reposicionamento de ativos e pressão operacional (pátios, gates, janelas para atracação dos navios). Em outras palavras: parte do “custo invisível” da logística aparece aqui.
Por fim, 2025 também traz desacelerações importantes: o café recua levemente (de 1.982.938 para 1.947.207 t), o açúcar cai marginalmente (de 2.524.915 para 2.493.302 t) e a celulose diminui (de 914.830 para 814.441 t). Isso reforça a leitura: o contêiner não é um velocímetro único, mas sim, um painel com ponteiros diferentes ao mesmo tempo.
Enfim, o ano passado não foi apenas “mais um ano de volume”. Ele foi um ano em que a pauta revela movimentos simultâneos: o agronegócio ganhou tração (óleo vegetal e algodão), a indústria química manteve a centralidade (com reconfigurações internas), o segmento de energia/insumos deu sinais pontuais, a linha de manufaturados apareceu forte e, sobretudo, o aumento de contêineres vazios chamou a atenção para a eficiência operacional. Assim, a estatística do porto vira, uma ferramenta de inteligência pois ajuda a enxergar as pressões e as oportunidades antes que elas apareçam em custos e filas.
(*) Dennis Caceta, engenheiro especializado em Gerenciamento de Projetos Gerente de Projetos para Melhoria Contínua na GBM TECH & CONTROL (by nstech).
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