Livre comércio na Australásia

Estudo do Euromonitor mostra como o FTA da Nova Zelândia com a China mudou as perspectivas do país

Depois de mais de quinze rodadas de negociações, o acordo de livre comércio entre a Nova Zelândia e a China finalmente se tornou realidade no ano de outubro de 2008. A Nova Zelândia ganhou status de pioneira: o primeiro país desenvolvido a firmar um FTA (Free Trade Agreement) com a China.

De lá para cá, o comércio entre os dois países floresceu, e a China começou a absorver uma grande proporção do total das exportações da Nova Zelândia. Entre 2007 e 2014, o total das exportações do país da Oceania para o parceiro asiático chegou a crescer impressionantes 400%, ou US$ 5,8 bilhões. Em contrapartida, as importações chinesas para a Nova Zelândia cresceram 55% no mesmo período, chegando a US$ 6,3 bilhões em 2014. A China ganhou visibilidade e proeminência, tornando-se o principal mercado parceiro da Nova Zelândia. Em 2014, já absorvia 21% de todas as exportações da Nova Zelândia, um resultado bastante diferente dos 6% que comprava em 2007. Os números foram levantados por um estudo do Euromonitor, que mostra o desenvolvimento da parceria no decorrer dos anos, e as perspectivas futuras.

Reflexos do livre comércio

O sucesso mais notável do FTA entre a China e a Nova Zelândia ficou para o setor de laticínios: o país da Oceania aumentou as vendas para a China em mais de 1000% no período avaliado (de 2007 a 2014), chegando à cifra de US$ 3,1 bilhões, que representam 44% de todas as exportações com destino ao parceiro asiático (especialmente de leite em pó).

Mas o acordo surtiu outros efeitos: além do crescimento das exportações, o FTA também resultou no aumento do investimento bilateral na agricultura, facilitando para as empresas de ambos os países a compra ou o desenvolvimento de fazendas. Os chineses também investiram no setor de laticínios da Nova Zelândia, a exemplo da compra das fazendas da família Crafar, em 2012 pelo Shanghai Pengxin Group. Esses investimentos não foram aprovados por toda a comunidade neozelandesa, que alegou que o crescente interesse dos chineses pelas propriedades residenciais de Auckland no início de 2015 desencadearam debates acalorados sobre a entrada de capital estrangeiro no país.

Próximos passos

Apesar de um ou outro conflito, no entanto, as perspectivas para a indústria de laticínios da Nova Zelândia não são nada ruins, com acordos já consolidados não apenas com a China, mas também com a Malásia, Tailândia, Cingapura e outros países do bloco econômico do sudeste asiático (ASEAN). Com olhos no futuro, a indústria neozelandesa pretende dar um passo adiante, desviando o foco exclusivo das commodities (ingredientes) para assumir uma produção de maior valor agregado, como fórmulas infantis e nutrição esportiva.

Entretanto, apesar de a China ter se consolidado como um dos principais parceiros comerciais da Nova Zelândia, o governo neozelandês está de olho na consagração da TPP (a Parceria do Transpacífico) para abrir novas oportunidades com o Japão, Canadá e Estados Unidos, apostando na diversificação das exportações para evitar concentrar a dependência em um só país.

As perspectivas do mercado da Australásia foram analisadas por um estudo internacional desenvolvido pelo Euromonitor que pode ser acessado aqui.


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