App propõe engajamento do usuário na manutenção de estradas

Estradas paulistas avançaram bastante, porém o Brasil ainda tem um longo percurso à frente, e conta com a participação do usuário

*POR CLECI LEÃO

No último feriado, o número de acidentes nas estradas paulistas caiu 21,25% na comparação com a mesma data de 2018, segundo informou o Comando de Policiamento Rodoviário (CPRv). A corporação não considerou o ano passado, quando o dia 7 de setembro havia caído no sábado.

Ainda assim, apesar da pandemia, cerca de 465 mil veículos passaram no sistema Anhanguera-Bandeirantes no sentido do interior paulista neste 7 de setembro – um número muito próximo do histórico de feriados que caem às segundas-feiras, com redução de apenas 1,86%, de acordo com dados da Artesp.

Na Rodovia dos Tamoios, 134 mil veículos foram contabilizados no pedágio de descida ao litoral entre sexta e domingo: 68,84% a mais do que no último fim de semana de agosto.

Já a CCR Viaoeste informou que a rodovia Castelo Branco recebeu 154 mil veículos na praça de Itu entre sexta e domingo, com um fluxo 23,73% mais denso do que no fim de semana ainda antes da quarentena – e 4,98% superior ao histórico de outros feriados de segunda-feira.

A queda no registro de acidentes, no entanto, ainda não foi suficiente para comemorações: segundo o CPRv, a maioria deles poderia ter sido evitada, uma vez que a causa principal dos sinistros está na imprudência, negligência ou imperícia dos condutores ou pedestres, bem como o desrespeito às sinalizações, situação evidenciada pelo volume de multas aplicadas. Foram 101.204 autuações, sendo um quarto delas por excesso de velocidade.

Infraestrutura, segurança. E a informação.

Os números do feriado paulista resumem o fluxo das estradas no estado mais privilegiado do Brasil em termos de infraestrutura. No cômputo geral, no entanto, a situação das estradas é fator crítico, que não apenas compromete a segurança do viajante, mas também causa prejuízos ao meio ambiente e encarece insumos para a população.

Segundo a pesquisa anual da Confederação Nacional de Transportes (CNT), em 2019, pavimentos inadequados foram responsáveis por um consumo desnecessário de 931,80 bilhões de litros de diesel, o que representa um adicional de emissão de 2,46 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), somente no ano de 2018. No mesmo ano, o prejuízo com acidentes rodoviários foi estimado em R$ 9,73 bilhões.

Originalmente criado para atender às demandas de zeladoria urbana, o aplicativo QZela disponibilizou, no início do ano, um segmento dedicado às estradas. Por meio do app baixado gratuitamente, tanto o cidadão quanto a equipe operacional podem registrar problemas de infraestrutura rodoviária ligados a obras de manutenção. Basta, para isso, encontrar local seguro e enviar a ocorrência pelo app, a partir de qualquer trecho da rodovia com cobertura de internet. Não leva mais do que vinte segundos, e pode contribuir para a melhoria das estradas por meio do engajamento entre os gestores e os próprios usuários.

O aplicativo possui um sistema de gamificação que incentiva o usuário a relatar os problemas, na medida em que cada ação contabiliza pontos: abrir, fechar, confirmar, invalidar, e até mesmo avaliar a qualidade do serviço prestado após o fechamento da ocorrência. Pode ser usado por passageiros de veículos particulares ou utilitários, sem atrapalhar ou distrair o motorista.

Parcerias são o caminho para a eficiência

Para infraestruturas tão complexas quanto amplas, parcerias viabilizam a melhoria da gestão e permitem a entrega de serviços mais pontuais e seguros. Segundo César Borges, Presidente Executivo da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), o desenvolvimento das estradas tem sido permitido no Brasil graças à combinação de investimentos da área pública com o capital privado. “Existe um entendimento sobre o fato de que os recursos públicos estão longe de ser suficientes para suprirem sozinhos as necessidades de um sistema de transporte rodoviário adequado às dimensões continentais brasileiras.”

Com o avanço da tecnologia, da comunicação e da mobilidade, fica cada vez mais evidente que o engajamento dos próprios cidadãos, usuários dos serviços públicos, é a força que faltava para a excelência deste segmento que move boa parte da economia do país.

Na opinião do Assessor da Presidência da Fundação Getúlio Vargas, Marcus Quintella, o desenvolvimento das rodovias, assim como outros projetos estruturantes do transporte, demonstra claramente o progresso de cada região. “[Boas estradas] permitem redução do tempo, que é valoroso para as pessoas, de acidentes, o que poupa vidas, além de valorizações imobiliárias importantes e desenvolvimento das cidades”, disse Quintella durante evento da ABCR e FGV Transportes.

A edição de 2019 da pesquisa anual da CNT mostrou que as dez melhores ligações rodoviárias do Brasil são concessionadas. “Mas ainda é preciso avançar para atingir as metas necessárias para que o país não perca em produtividade e competitividade, uma vez que as estradas continuam a ser um divisor de águas na eficiência logística do Brasil”, diz o relatório. Segundo a mesma pesquisa da CNT, pavimentos inadequados foram responsáveis por um consumo desnecessário de 931,80 bilhões de litros de diesel, o que representa um adicional de emissão de 2,46 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), somente no ano de 2018. No mesmo ano, o prejuízo com acidentes rodoviários foi estimado em R$ 9,73 bilhões.

Por contrato, as concessionárias prestam serviços que garantem a segurança e a qualidade das vias: disponibilização de guinchos, assistência em acidentes, ambulâncias UTIs, socorro mecânico, sinalizações, manutenção do pavimento e do acostamento.

Porém, as condições das estradas também estão intrinsecamente relacionadas a uma grande variedade setores, a começar pelo comércio exterior e as produções industrial e a agrícola, que dependem de planejamento de logística. Não ficam de fora as questões ambientais, que envolvem esforços na contenção da emissão de poluentes, além do transporte de passageiros, que movimenta todo o tipo de mercado, seja no segmento de turismo ou de negócios.

“Poder contar com um aplicativo que aponta, em tempo real, a condição das estradas, pavimentação, iluminação, pontos de alagamento, sinalização e sistemas de comunicação, além de mais de 40 itens possíveis de se registrar pelo usuário de QZela é garantia de ganhos para os três setores: usuários, gestores e poder público. Isso sem falar no ganho direto para a economia brasileira”, diz Roberto Badra, CEO da Westars TG, empresa desenvolvedora do app brasileiro.

Após o registro feito pelo usuário do app, os dados de QZela passam por um sistema que utiliza Inteligência Artificial para garantir a consistência das informações. Em seguida, a informação passa a compor um banco de dados que alimenta a plataforma QZela Corp. Cada ocorrência é checada automaticamente, e gera um registro anônimo com foto e georreferenciamento. O sistema é gerido por business intelligence, e pode ser integrado com outras plataformas por meio de API.

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Opinião

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