Brado e SLC Agrícola abrem novo corredor logístico para algodão do Maranhão até o Porto de Santos
A Brado e a SLC Agrícola realizaram a primeira operação multimodal de transporte de algodão do Maranhão com destino ao Porto de Santos, em São Paulo. O embarque inaugural movimentou 246,2 toneladas de pluma da fibra e inaugura um novo corredor de exportação para a produção do Matopiba, região que reúne áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A operação amplia uma parceria que as duas empresas mantêm desde 2020, quando passaram a atuar em conjunto no escoamento de algodão produzido no Mato Grosso, principal estado produtor da fibra no país. Ao longo desse período, a cooperação vem sustentando o desenvolvimento de soluções logísticas integradas entre os modais rodoviário e ferroviário.
A chegada do Maranhão a esse corredor acompanha uma mudança na geografia da cotonicultura brasileira. Nas últimas duas décadas, a cultura se expandiu para além das regiões tradicionalmente produtoras e encontrou no Matopiba uma de suas principais frentes de crescimento.
Até a nova rota entrar em operação, boa parte da produção da região seguia por rodovia até portos do Sul e Sudeste do país. Agora, os produtores passam a contar com uma alternativa apoiada na Ferrovia Norte-Sul, malha que cruza o Brasil por mais de 2,7 mil quilômetros e representa a mais extensa rede ferroviária ativa do país.
A escolha pelo Porto de Santos também segue critérios operacionais. Maior complexo portuário da América Latina, o terminal recebeu mais de 5,7 mil navios ao longo do último ano, volume que garante ampla oferta de serviços marítimos e maior disponibilidade de contêineres entre os armadores que operam no terminal, fator que tende a agilizar embarques e favorecer a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional.
Segundo Mayra Antunes Coelho, executiva de vendas da Brado, o avanço da produção para novas regiões exige que a logística acompanhe esse movimento com soluções de escala e previsibilidade. A executiva afirma que a operação inaugural foi conduzida com planejamento detalhado e monitoramento contínuo, visando preservar a qualidade da carga ao longo do trajeto.
A SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de commodities agrícolas do Brasil, cultiva algodão desde 1998, com a fibra destinada majoritariamente à indústria têxtil e com forte presença no mercado internacional. Para Thiago Sanches, coordenador de logística da companhia, a nova alternativa de escoamento amplia a integração entre modais e gera aprendizados relevantes para operações futuras, dentro de um objetivo mais amplo de tornar a cadeia logística mais previsível e sustentável.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento mostram que a área destinada ao cultivo de algodão no país mais que dobrou nos últimos vinte anos, superando 2 milhões de hectares atualmente. Parte expressiva desse crescimento ocorreu justamente no Matopiba, onde a disponibilidade de terras e as condições favoráveis de produção transformaram a região em uma das principais fronteiras agrícolas do Brasil.
Com a expansão do algodão para novas áreas, a ampliação das alternativas de escoamento tende a ganhar peso estratégico para sustentar esse crescimento e reforçar a competitividade da fibra brasileira nos mercados externos.
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