TCP e Brado concluem obras que ampliam capacidade ferroviária no Porto de Paranaguá
A TCP, administradora do Terminal de Contêineres de Paranaguá, e a Brado Logística concluíram neste mês de julho as obras de ampliação da estrutura ferroviária dentro do pátio de operações do terminal. O projeto amplia em cerca de 20% a capacidade de movimentação no modal ferroviário e deve elevar a eficiência do escoamento de cargas ligadas ao agronegócio e à indústria paranaense.
O ramal ferroviário conecta Paranaguá a Ortigueira, Cambé e Cascavel, regiões que concentram produção e exportação de carne de frango e de papel e celulose. Com a instalação da terceira linha férrea, a capacidade de movimentação de cargas cheias na ferrovia passa de 55 mil para cerca de 66 mil contêineres por ano, segundo Fabio Mattos, gerente comercial da TCP.
A TCP é o único terminal portuário da região Sul do país com conexão direta entre o pátio de operações e um ramal ferroviário. Com a conclusão da obra, o terminal passa a contar com uma terceira linha de trilhos e uma nova área de manobras, totalizando 757 metros adicionais de ferrovia.
Antes da ampliação, o terminal operava com apenas duas linhas, o que permitia a movimentação de 41 contêineres por vez, já que um trem chegava ao pátio enquanto outro saía. Com a nova estrutura, dois trens podem operar simultaneamente enquanto um terceiro realiza a saída, o que aumenta o giro de composições dentro do terminal.
A obra também altera a dinâmica do fluxo de veículos na região. No modelo anterior, os trens chegavam a Paranaguá com 82 vagões e precisavam ser divididos em duas composições de 41 contêineres para cruzar a passagem de nível na Avenida Portuária, gerando duas paradas tanto dos trens quanto dos veículos. Agora, um único trem consegue seguir de forma contínua e com capacidade máxima, reduzindo a frequência de cruzamentos e evitando bloqueios prolongados na via.
Segundo Mattos, o transporte ferroviário vem se consolidando como alternativa estratégica na logística de cargas, com menor risco de avarias e maior previsibilidade no tempo de trânsito. Em 2024, dos 310 mil contêineres cheios exportados pela TCP, cerca de 52 mil, equivalente a 17% dos embarques, foram transportados pela Brado.
A ampliação da ferrovia integra um conjunto mais amplo de investimentos da TCP em infraestrutura logística. Nos últimos cinco anos, a empresa aportou cerca de R$ 500 milhões em melhorias operacionais e expansão de capacidade do terminal. Para acompanhar o crescimento da movimentação ferroviária, a área passou a contar com três guindastes RTG, um a mais que o número anterior, além de novos Terminal Tractors e da readequação do gate para permitir o acesso da terceira linha.
Os equipamentos RTG também passaram por processo de eletrificação, com instalação de barramentos elétricos ao longo da área ferroviária, medida que resultou em redução de aproximadamente 771 toneladas de emissões de carbono por ano na operação dos três guindastes.
Do lado da Brado, o projeto envolveu investimentos em ativos e componentes estratégicos para viabilizar a nova infraestrutura. Segundo Vinicius Cordeiro, gerente executivo de Comercial e Novos Negócios da companhia, a instalação de novos trilhos e de três aparelhos de movimentação de via ampliou a capacidade de manobra e o fluxo de composições no terminal, reduzindo tempos de espera. Cordeiro destaca ainda que a base de sustentação do sistema, incluindo placas de apoio, chumbadores, soldas e grampos de fixação, foi dimensionada para garantir maior disponibilidade operacional.
Washington Renan Bohnn, gerente de operações logísticas da TCP, afirma que os investimentos fortalecem a infraestrutura do terminal e permitem que a operação ferroviária evolua com mais eficiência e previsibilidade, contribuindo para a competitividade da cadeia logística de comércio exterior no Paraná.
Com a nova estrutura ferroviária, a TCP amplia sua capacidade de escoamento por trilho em um momento de crescimento da produção agrícola e industrial no Paraná, reforçando a posição do terminal como alternativa multimodal para cargas que hoje dependem em maior escala do transporte rodoviário até o litoral.
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