Congestão nos portos asiáticos mantém alerta para importadores brasileiros

A congestão nos principais portos asiáticos continua pressionando o transporte marítimo internacional e exige atenção redobrada de empresas brasileiras que dependem de importações da Ásia. Após superar, na semana passada, o pico absoluto registrado durante a pandemia, quando mais de 4,3 milhões de TEUs chegaram a aguardar atracação, a capacidade retida recuou, mas permanece em nível elevado. A atualização mais recente da Linerlytica, de 1º de setembro, aponta 3,92 milhões de TEUs ainda presos em fundeadouros, equivalentes a 11,4% da frota mundial.

O principal foco de atenção continua no Leste Asiático. Xangai e Ningbo, dois dos maiores hubs chineses, voltaram a sofrer interrupções operacionais com a passagem do tufão Saudel, que atingiu a costa chinesa em 28 de agosto e provocou novas suspensões nos terminais. Em alguns casos, os atrasos já ultrapassam dez dias.

Para empresas brasileiras, o cenário pode significar atrasos na chegada de matérias-primas, componentes e produtos acabados, além de custos adicionais com armazenagem, demurrage, reagendamentos e mudanças de rota.

“Mesmo com alguma redução em relação ao pico da semana passada, o nível de congestionamento continua muito elevado. O problema não é apenas a fila de navios, mas o efeito que esses atrasos provocam em toda a programação. Um navio que atrasa em um porto pode comprometer as escalas seguintes e aumentar a imprevisibilidade para o importador”, afirma Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group.

Planejamento ganha importância

A recomendação do Fiorde Group é que empresas com embarques a partir do Leste da China trabalhem com margem adicional de prazo, especialmente em operações envolvendo Xangai e Ningbo, e confirmem as condições operacionais antes de liberar cargas para os terminais.

“O importador precisa acompanhar a operação diariamente e não trabalhar apenas com o prazo originalmente informado. Quanto mais cedo um possível atraso é identificado, maior é a possibilidade de buscar uma alternativa antes que o problema afete o abastecimento”, explica Mauro.

Para cargas críticas, o executivo recomenda avaliar previamente alternativas como outros portos e rotas, além de soluções aéreas, ferroviárias ou multimodais. Também é importante considerar no planejamento possíveis custos adicionais de armazenagem, demurrage e reagendamento.

“A logística internacional está cada vez mais exposta a eventos climáticos, geopolíticos e operacionais. Por isso, as empresas precisam incorporar a gestão de riscos ao próprio planejamento de compras e importações. Ter alternativas previamente avaliadas pode reduzir muito o impacto de uma interrupção”, conclui Mauro.

O cenário reforça a necessidade de maior previsibilidade nas operações de comércio exterior. Mesmo após o recuo em relação ao pico de 4,3 milhões de TEUs registrado na semana passada, a capacidade ainda retida permanece elevada e mantém pressão sobre prazos e custos do transporte marítimo internacional.



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