Biodiesel consolida retomada em 2025 e projeta crescimento robusto para 2026, aponta StoneX

O mercado brasileiro de biodiesel encerrou 2025 em trajetória de consolidação e crescimento, após anos marcados por instabilidades. Levantamento da equipe de Inteligência de Mercado da StoneX mostra que o setor avançou com a retomada dos mandatos obrigatórios de mistura e entra em 2026 com perspectivas de forte expansão da demanda.

Um dos principais marcos de 2025 foi a implementação do regime B15 a partir de agosto, conforme diretrizes do Ministério de Minas e Energia. O avanço ocorreu após um período de oscilações provocado pelo cenário econômico adverso e pelos impactos da pandemia, que haviam limitado o crescimento da mistura obrigatória nos anos anteriores.

Com a normalização do cronograma, o setor voltou a apresentar desempenho consistente, reforçado pela sanção da Lei do Combustível do Futuro. A legislação estabelece metas de incremento gradual do teor de biodiesel até 2030, consolidando o compromisso do Brasil com a transição energética e a ampliação do uso de fontes renováveis.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que a produção nacional de biodiesel atingiu níveis recordes em 2025, impulsionada diretamente pelo aumento da mistura obrigatória. O consumo de óleo de soja, principal matéria-prima do setor, acompanhou esse movimento e somou 7,9 milhões de toneladas no ano.

Além da soja, o setor avançou na diversificação da base produtiva. O uso de matérias-primas alternativas, como sebo bovino, gordura suína e óleos residuais, também cresceu, refletindo ganhos de eficiência industrial e maior resiliência da cadeia de suprimentos.

No campo industrial, a capacidade produtiva instalada alcançou 42,6 mil m³ por dia em 2025, com forte concentração nas regiões Centro-Oeste e Sul, responsáveis por mais de 70% da produção nacional. O ano também foi marcado por movimentos de consolidação, com aquisições de usinas por grandes grupos e a entrada de novos players, intensificando a competitividade do mercado.

Demanda deve ganhar força em 2026

Para 2026, as projeções da StoneX indicam um cenário ainda mais positivo. A demanda por biodiesel pode atingir 10,5 milhões de toneladas, considerando a manutenção do B15 ao longo de todo o ano. Caso o mandato avance para o B16 a partir de março, o consumo pode superar 11 milhões de metros cúbicos, exigindo aproximadamente 8,9 milhões de toneladas de óleo de soja.

Nesse contexto, a utilização da capacidade industrial deve variar entre 57% e 64,5%, dependendo do ritmo de expansão das usinas e das decisões do governo federal sobre o cronograma de elevação da mistura obrigatória.

O setor acompanha de perto os incrementos previstos na Lei do Combustível do Futuro, que projeta a elevação gradual do teor de biodiesel até o B20 em 2030. Produtores e investidores já se mobilizam para atender à nova realidade, com planos de ampliação de plantas existentes e investimentos em novas unidades, especialmente nas regiões com maior disponibilidade de soja.

Análises mais detalhadas sobre o mercado de biodiesel e outras commodities dos segmentos agrícola, energético, metálico e de moedas de mercados emergentes serão apresentadas no Relatório de Perspectivas para Commodities da StoneX, com publicação prevista para 27 de janeiro.



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