Porto de Santos concentra quase 30% da balança comercial brasileira e amplia oportunidades no comércio do Mercosul
Maior complexo portuário da América Latina reforça papel estratégico na integração econômica regional e abre espaço para empresas que atuam com logística e comércio exterior
O crescimento das trocas comerciais entre países da América do Sul tem reforçado o papel do Porto de Santos como principal eixo logístico da integração entre os membros do Mercosul. Dados da Autoridade Portuária de Santos indicam que o complexo responde por cerca de 29% da corrente comercial brasileira, consolidando-se como o principal ponto de entrada e saída de mercadorias do país.
Em 2024, o porto movimentou 179,8 milhões de toneladas de cargas, recorde histórico que confirma a relevância do terminal para o comércio exterior nacional.
Mayra Saitta, advogada empresarial e fundadora do Grupo Saitta, afirma que o Porto de Santos exerce papel estratégico para empresas que atuam no comércio regional. Segundo ela, a estrutura logística do terminal facilita exportações, importações e a organização das cadeias produtivas entre Brasil e países do Mercosul. “O porto funciona como um elo logístico que ajuda empresas a operar com mais eficiência e previsibilidade”, afirma.
O terminal também ocupa posição central na logística nacional por estar conectado a importantes corredores rodoviários e ferroviários que ligam polos industriais e agrícolas do país ao litoral paulista. Essa integração permite que cargas produzidas em diferentes regiões cheguem ao porto com mais agilidade e sigam para mercados internacionais.
Além das exportações, o complexo portuário também concentra grande volume de importações de insumos industriais, fertilizantes e produtos químicos utilizados em cadeias produtivas brasileiras.
Para Mayra, esse fluxo constante de mercadorias ajuda a explicar a relevância estratégica do porto para a economia regional e nacional. “Quando observamos o comércio regional, percebemos que a infraestrutura logística tem impacto direto na competitividade das empresas. Quanto mais eficiente for o sistema portuário, maior tende a ser a capacidade de expansão comercial”, explica.
O avanço das trocas comerciais entre os países do Mercosul também amplia oportunidades para empresas que atuam em serviços logísticos, transporte, armazenagem e gestão aduaneira.
Segundo ela, a movimentação crescente de cargas gera demanda por operadores especializados e soluções voltadas ao comércio exterior. “O crescimento do comércio regional fortalece toda a cadeia logística. Transportadoras, operadores portuários e empresas que prestam serviços de comércio exterior passam a ter novas oportunidades de negócios”, afirma.
Cuidados para empresas que pretendem operar via Porto de Santos
Antes de iniciar operações de exportação ou importação utilizando a estrutura portuária, especialistas recomendam que empresas avaliem fatores logísticos, regulatórios e operacionais que podem impactar diretamente custos e prazos de entrega.
A seguir, especialistas destacam sete cuidados que ajudam empresas a estruturar operações mais seguras e eficientes.
- Planejar a logística desde a origem da carga - Avaliar rotas rodoviárias ou ferroviárias, distância até o porto e tempo de deslocamento ajuda a evitar atrasos e custos adicionais durante a operação.
- Escolher parceiros especializados em comércio exterior - Operadores logísticos, agentes de carga e despachantes aduaneiros com experiência no ambiente portuário tendem a reduzir erros operacionais e agilizar processos alfandegários.
- Conhecer as regras comerciais do Mercosul - O bloco possui acordos tarifários específicos que podem reduzir custos para empresas que exportam ou importam entre países membros.
- Estruturar uma gestão documental eficiente - Operações internacionais exigem controle rigoroso de documentos fiscais, certificados e registros alfandegários para evitar retenção de mercadorias.
- Monitorar custos portuários e logísticos - Taxas de armazenagem, movimentação e transporte devem ser acompanhadas de perto para manter previsibilidade financeira e competitividade.
- Avaliar a infraestrutura disponível para cada tipo de carga - Empresas devem verificar disponibilidade de terminais especializados, armazéns e equipamentos adequados para diferentes categorias de mercadorias.
- Trabalhar com planejamento de riscos logísticos - Greves, congestionamentos logísticos e atrasos operacionais podem afetar operações portuárias, o que exige monitoramento constante e alternativas logísticas.
Para Mayra Saitta, empresas que tratam a logística portuária como parte estratégica do negócio tendem a obter melhores resultados no comércio internacional. “O Porto de Santos não é apenas um ponto de embarque. Ele conecta empresas brasileiras a diferentes mercados e facilita o acesso a parceiros comerciais da América do Sul”, afirma.
A especialista também destaca que a integração econômica regional tende a ampliar ainda mais a importância do complexo portuário nos próximos anos. “Quanto maior o fluxo de comércio entre países do Mercosul, maior será a demanda por infraestrutura logística eficiente. Empresas que compreendem essa dinâmica conseguem se posicionar melhor no comércio internacional”, diz.
(*)Mayra Saitta, Advogada, contadora e fundadora do Grupo Saitta.
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