5 tendências para o setor logístico em 2026

Com operações mais digitais, intermodais e sustentáveis, a navegação costeira se consolida como protagonista da transformação logística no país

A convergência entre a digitalização acelerada, a consolidação de plataformas integradas e a crescente demanda por sustentabilidade indica que 2026 será marcado por uma logística ainda mais hiperconectada, inteligente e orientada por dados. Com o avanço de tecnologias como Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT), o setor entra em um ciclo de maturidade que tende a elevar os padrões de eficiência, previsibilidade e automação em toda a cadeia.

Segundo dados da Cobli, o setor deve passar de US$ 104,79 bilhões em 2024 para US$ 129,34 bilhões até 2029, impulsionado pelo crescimento do e-commerce e por inovações tecnológicas. Esse cenário tem provocado uma mudança de mentalidade entre executivos, ao passo que a logística deixa de ser encarada como custo operacional e passa a ocupar posição estratégica, por impactar diretamente a continuidade das operações, o desempenho financeiro e a competitividade das empresas.

Pensando nisso, Fabiano Lorenzi, CEO da Norcoast, empresa brasileira de navegação costeira que opera de Norte a Sul do país, lista as principais tendências que devem moldar o setor em 2026. Confira:

1. Expansão da intermodalidade

A integração dos sistemas logísticos, impulsionada pelo avanço de plataformas unificadas e de visibilidade em tempo real, deve intensificar ainda mais o uso da cabotagem em 2026. Esse movimento renova o fôlego da intermodalidade e estimula as empresas a aprofundarem a conexão entre modais para construir cadeias de suprimentos mais resilientes, eficientes e menos suscetíveis a rupturas.

“A reconfiguração das cadeias globais, marcada pela regionalização e pela adoção de modelos logísticos híbridos, acelera essa convergência e torna a coordenação entre modais um imperativo estratégico para o próximo ano”, pontua Lorenzi.

2. Avanço da carga fracionada e do e-commerce

Com o crescimento consistente das compras digitais, o e-commerce deve representar entre 21% e 22,2% das vendas totais do varejo mundial em 2026, superando definitivamente a barreira dos 20%. Esse avanço, somado à expansão da ocupação logística e à busca por custos menores por quilômetro, tende a ampliar o interesse do varejo pelo uso da cabotagem em remessas consolidadas — modelo capaz de reduzir despesas, aumentar a previsibilidade e elevar a eficiência nas entregas de médio e longo curso.

“Temos observado a expansão de hubs costeiros estruturados para operações de crossdocking, permitindo que mercadorias sejam redistribuídas com mais agilidade ao longo da costa. Além disso, cresce o uso de contêineres como verdadeiros ‘mini centros de distribuição móveis’, ampliando a flexibilidade logística e otimizando estoques em trânsito. Outro ponto em evolução é a criação de malhas reversas dedicadas ao tratamento de devoluções, uma demanda cada vez mais relevante no varejo digital. Esse movimento, em conjunto, contribui para democratizar a cabotagem, um modal historicamente concentrado nas grandes indústrias, tornando-o mais acessível a diferentes segmentos do mercado”, destaca o executivo.

3. Aumento de corredores domésticos

Com os efeitos do BR do Mar se consolidando no mercado, a expectativa é que os armadores ampliem tanto a frequência quanto a capacidade de suas rotas, permitindo atender novos pólos industriais e regiões antes pouco exploradas. As projeções indicam expansão em corredores estratégicos — como as rotas entre o Norte e o Sudeste, impulsionadas pelo avanço do agronegócio, da mineração e do setor de papel e celulose — e os fluxos que conectam o Nordeste ao Sudeste, favorecidos pelo crescimento das demandas de bens de consumo e da indústria química.

Segundo Lorenzi, a interiorização das operações, viabilizada por portos fluviais integrados à cabotagem, deve ganhar força e ampliar significativamente o alcance do modal, levando competitividade logística a novas regiões e reduzindo distâncias dentro da própria matriz de transporte brasileira.

4. Profissionalização e especialização da mão de obra

Com a logística marítima mais tecnológica e orientada por dados, cresce de forma acelerada a demanda por profissionais aptos a atuar em ambientes operacionais complexos. Empresas já buscam especialistas em gestão integrada de malhas multimodais, assim como profissionais com competências em análise preditiva e operação data-driven, essenciais para decisões avançadas de planejamento e alocação de ativos.

“A tendência é que programas de desenvolvimento técnico e profissional voltados à logística ganhem espaço no país, respondendo à necessidade urgente de desenvolver talentos que sustentam o crescimento da navegação costeira”, afirma Lorenzi.

5. Automação e digitalização dos portos

Os terminais que operam cabotagem seguem rumo a um ciclo mais intenso de automação e digitalização, motivados pela busca contínua por eficiência e pela necessidade de reduzir custos estruturais. Entre as iniciativas em ascensão estão sistemas avançados de predição meteorológica e marítima, que conectam informações ambientais diretamente à operação e apoiam decisões mais seguras sobre a eficiência na navegação, janelas de atracação, manobras e produtividade dos equipamentos.

“As iniciativas visam acelerar a modernização do ecossistema portuário ligado à cabotagem, criando operações mais ágeis, confiáveis e competitivas em um setor cuja eficiência operacional deixou de ser diferencial e passou a ser requisito estratégico”, reforça Lorenzi.

Portanto, 2026 deve consolidar operações mais inteligentes, conectadas e sustentáveis. As empresas que se anteciparem às tendências tecnológicas e às novas exigências regulatórias estarão mais bem posicionadas para competir em um mercado onde eficiência, segurança e previsibilidade já não são diferenciais — mas fundamentais. Nesse processo, a navegação costeira deixa de ser apenas um modal complementar e se afirma como protagonista na construção de uma logística mais sustentável, econômica e resiliente.




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