Recorde no Porto de Santos em 2025 acende alerta para gargalos no Anchieta Imigrantes, diz FETCESP
O Porto de Santos encerrou 2025 com o melhor resultado de sua história, ao movimentar 186,4 milhões de toneladas, alta de 3,6 por cento sobre o recorde anterior. O avanço, celebrado como sinal de força operacional do complexo portuário, veio acompanhado de um alerta recorrente de quem vive o lado de fora do cais: o acesso e a organização do fluxo de caminhões seguem como pontos de estresse para a eficiência do sistema.
A leitura é da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo, a FETCESP, que acompanha de perto o desempenho do porto por causa do impacto direto na infraestrutura logística paulista, sobretudo na região de Santos. Para a entidade, o resultado reforça o peso estratégico da Baixada Santista no comércio exterior e, ao mesmo tempo, evidencia a necessidade de acelerar soluções para gargalos que viram custo na cadeia.
Roseneide Fassina, vice presidente regional da FETCESP e presidente do SINDISAN, afirma que os números do porto impressionam, mas exigem um esforço logístico proporcional para acontecer. “O Porto de Santos mais uma vez demonstra sua força e capacidade operacional. Mas quem vive o dia a dia da operação sabe que cada tonelada movimentada exige um esforço logístico enorme”, disse.
Na avaliação da dirigente, a pressão aparece com força no Sistema Anchieta Imigrantes, eixo que concentra parte relevante do deslocamento entre o planalto e a Baixada Santista. Ela cita momentos em que passam mais de 600 caminhões por hora pelo sistema, o que, mesmo sem representar exclusivamente tráfego com destino ao porto, pesa sobre a mobilidade regional e sobre os custos das operações.
Outro ponto levantado é a dinâmica do agendamento e da chegada antecipada de veículos, que pode gerar filas e espera, com reflexos para terminais e transportadoras. “Caminhões que chegam antes do horário agendado acabam aguardando em filas, o que eleva custos operacionais e afeta a cadeia logística”, acrescentou.
A FETCESP também defende que o debate precisa ir além do acesso viário e incluir capacidade de pátios, organização do fluxo e infraestrutura de apoio na região. Para reduzir a dependência do modal rodoviário, a entidade aponta a integração multimodal como caminho para aliviar pressão sobre os acessos e elevar eficiência, com ganhos econômicos e ambientais.
No horizonte, a ampliação de área do complexo aparece como uma das pautas prioritárias no discurso do setor. A discussão envolve a poligonal do porto, perímetro legal que define a área sob jurisdição da autoridade portuária, e a possibilidade de expansão de 7,8 milhões para 20,4 milhões de metros quadrados, o que representaria aumento de cerca de 162 por cento.
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