Maersk prevê restrições de navegação na Amazônia entre outubro de 2026 e início de 2027
O Maersk enviou um comunicado a clientes alertando para fortes indícios de novas restrições de navegação na região amazônica durante o período de seca entre outubro de 2026 e o início de 2027. O aviso do armador tem como base o Comunicado Inicial sobre o Período de Estiagem de 2026, publicado em 14 de julho pela Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, além de dados das estações de medição da Agência Nacional de Águas e de análises preditivas próprias.
Segundo a projeção do armador, o cenário deve se desenrolar em etapas. Entre as semanas 41 e 44, que correspondem a outubro, é esperada uma primeira restrição de capacidade. Em seguida, entre as semanas 45 e 48, em novembro, a expectativa é de fechamento do rio. A partir daí, entre as semanas 49 e 53, em dezembro, novas restrições de capacidade devem voltar a ocorrer.
O comunicado da Capitania dos Portos, documento que fundamenta o alerta do armador, reforça que a autoridade marítima é a única instância competente para estabelecer ordens de serviço e restrições à navegabilidade, de cumprimento obrigatório por embarcações, armadores e praticagem. O texto também detalha como funciona o processo de definição dos calados autorizados durante a estiagem.
Em 2025, as reduções de calado começaram a ser divulgadas em 13 de outubro, quando a régua de Manaus marcava 20,79 metros e a de Itacoatiara, 7,23 metros. A Capitania destaca, porém, que as réguas isoladas não são parâmetro confiável para prever restrições. Um exemplo citado no comunicado mostra que, em janeiro de 2025, o calado máximo autorizado foi de 10,70 metros com a régua de Manaus em 18,78 metros. Já em outubro do mesmo ano, com a régua de Manaus praticamente no mesmo patamar, 20,27 metros, o calado autorizado permaneceu igual, evidenciando que a definição depende sobretudo de dados batimétricos levantados nos pontos críticos entre Itacoatiara, Manaus e Coari.
Para o período de estiagem de 2026, a Capitania consultou o Serviço Geológico Brasileiro e o Laboratório de Modelagem de Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas. As duas instituições projetam níveis hidrológicos mínimos entre 1,8 e 3,0 metros abaixo dos registrados em 2025, dependendo do trecho analisado. Com base nesse cenário, a estimativa preliminar aponta restrição de calado no trecho entre Itacoatiara e Manaus na ordem de 8,00 metros para navios que transportam combustíveis e derivados e 8,30 metros para embarcações porta-contêineres, com início não esperado antes da segunda quinzena de setembro.
O Armador afirma que, caso o cenário de seca se confirme, suas operações podem ser impactadas por restrições logísticas, redução de capacidade dos navios e aumento de custos. A empresa acrescenta que, em caso de agravamento das condições de navegabilidade, incluindo o eventual fechamento do rio e a necessidade de operar por meio de píeres flutuantes, esses impactos e custos tendem a ser ainda maiores. Segundo o armador, a situação pode afetar os fretes praticados no período e levar à aplicação de sobretaxa adicional.
O armador reforça que segue monitorando a evolução do quadro hidrológico e se compromete a manter clientes informados sobre eventuais mudanças no cenário. O episódio repete um padrão observado nas secas de 2023 e 2024, quando a navegação na Amazônia enfrentou níveis recordes de baixa e forçou armadores a redirecionar cargas e adotar soluções alternativas de transporte na região.
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