China retrai produção de aço por falta de demanda

A demanda total da China pelo aço bruto em 2015 ficou 4,8% abaixo do ano anterior, por retração geral da economia. No Brasil, Instituto do Aço pede ao governo que estude aumento da alíquota de importação

A CMMA, Associação de Metalúrgicos e Metais da China, divulgou relatório em dezembro, no qual declara que a produção e o consumo de aço chegaram ao pico e deverão despencar em 2015 e 2016. De acordo com a associação, em 2015, a demanda da China pelo aço bruto deve fechar 4,8% abaixo do ano anterior, passando para 668 milhões de toneladas. A produção de 2015 também decresceu 2,1%, de 806 para 781 milhões de toneladas. Em 2016, a previsão é de que o país reduza ainda mais a demanda, passando-a para 648 milhões de toneladas.


A indústria chinesa do aço chegou ao ápice em 2015. Tanto a produção quanto o consumo do produto entrarão em queda para um futuro próximo...”, disse o Sr. Li, diretor da CMMA. Li afirma ainda que “mais de 50% das empresas de aço sofreram prejuízos no período compreendido entre janeiro e outubro de 2015”. A estimativa da CMMA é de que a demanda mundial pelo aço deverá cair 2% se comparada aos 1.513 milhões de toneladas exigidos pelo mercado em 2014. As siderúrgicas chinesas de Hebei, a região mais concentrada de produtores, já reduziram em 10 a 30% o quadro de funcionários.


No Brasil, no início da semana, a mídia noticiava a reação do grupo de trabalho formado por técnicos da Casa Civil, Ministério da Fazenda e do Desenvolvimento da Indústria e Comércio contra o aumento da alíquota do Imposto de Importação do aço. Criado em dezembro para análise do impacto causado pela possibilidade de aumento do imposto, sugerido pelo Instituto Aço Brasil à Presidente Dilma Rousseff com vistas à proteção da indústria nacional, o grupo diz, no entanto, que a elevação da alíquota ainda precisa ser vista com cuidado.


size_810_16_9_2013-03-06T131117Z_1_BSPE92510MW00_RTROPTP_4_NEGOCIOS-COMMODS-CHINA-RESULTS A defesa do Instituto do Aço é de que há um excesso de produção mundial que pode inundar o Brasil e prejudicar o mercado nacional das siderúrgicas. Para os técnicos do governo, no entanto, o aumento das importações não aumentaria a margem de lucro das empresas, pois a capacidade ociosa do setor ainda é grande, devido a investimentos feitos no passado para atender a uma demanda em crescimento.


Rumores indicam que o setor reivindica uma alíquota de até 35%, quando as atuais variam entre 8 e 14%. O secretário de Comércio Exterior do MDIC, Daniel Godinho, disse que a decisão seria anunciada em breve. Após a inversão do mercado chinês, de comprador para vendedor de aço, o nível de capacidade instalada do setor no Brasil atingiu 69%. A reação do mercado foi imediata, temendo que o Brasil aplique medidas protecionistas que impeçam o nosso desenvolvimento e competitividade, justo em um momento de crise, no qual deveríamos nos posicionar melhor no comércio global.



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