Na queda de braço entre UE e Grã- Bretanha, o que está em jogo?

Todo o processo está marcado pela incerteza e pelo risco

Embora em seu último relatório de “cisnes negros” (eventos possíveis mas improváveis), David Cameron tenha calculado em 25% a chance de que a eleição leve a um plebiscito sobre a saída do país da União Europeia e em 10% o risco de que ela ocorra de fato, o Société Genérále costurou um acordo para garantir as bases políticas da campanha pela permanência do país no bloco de países.

Cameron liberou seus ministros para defenderem tanto a continuação quanto a saída dos britânicos da EU. No entanto, disse estar "decepcionado", mas não surpreso, com o fato de um de seus maiores aliados, o secretário de Justiça, Michael Gove, fará campanha pela saída. Repetindo em seu pronunciamento de sábado a expressão "uma Grã-Bretanha mais segura, mais forte e melhor" dentro da União Europeia, Cameron afirmou que pretende conduzir o país mesmo em caso de derrota da campanha pela permanência.

Dividindo opiniões, a última pesquisa, realizada há poucos dias pelo YouGov com o The Sun, mostra que 46% dos britânicos se opõe à saída e 36% apoiam, mas os números flutuam bastante. Para a o setor logístico, por exemplo, ficar na UE é melhor, como aponta a pesquisa da IMHX Business Survey, coligada à Lloyd’s Loading List. (Leia no guia)

Mas o que realmente muda?

Todo o processo está marcado pela incerteza e pelo risco. O impacto do “Brexit” poderá oscilar entre uma quebra de 2,2% do PIB do país (em 2030) até um aumento de 1,6% do PIB, em função dos acordos comerciais que o Reino Unido negociar com outros países e do grau de desregulação da economia que o governo estiver disponível para fazer, de acordo com um estudo do Open Europe.

Para o comércio, serviços financeiros e regulação, negociar a saída será provavelmente um processo moroso e complexo. O governo britânico fora do bloco comunitário teria liberdade de negociar os acordos comerciais que entendesse, de acordo com os seus interesses. No entanto, o peso externo do Reino Unido numa negociação será sempre menor, comparado com o que tem dentro da UE. Por sua vez, o bloco europeu perderá um membro de referência no comércio internacional.

O choque político também perderia peso e a UE poderia vir a reforçar a sua coesão com Estados-membros a decidirem avançar na integração europeia. No caso de um “Brexit”, há observadores que admitem que outros Estados-membros vão seguir o Reino Unido, com ou sem referendo.

Plebiscito

Marcado para hoje, o plebiscito decidirá a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia. Para Cameron, "uma Grã-Bretanha mais segura, mais forte e melhor" é dentro da União Europeia, e afirmou que pretende conduzir o país mesmo em caso de derrota da campanha pela permanência. Mas suspeita-se que uma derrota no plebiscito poderá fazer com que o premiê se veja obrigado a deixar o cargo.

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Guia Marítimo. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.