DSV usa rede global para enfrentar desafios logísticos no Brasil

O Guia Marítimo, idealizador da Intermodal South America, como de hábito, promoveu nova rodada de entrevistas com líderes do setor. O objetivo é avaliar o humor do mercado em relação aos problemas geopolíticos, sobrecarga da infraestrutura, em risco de colapso, metas ESG, inovação e medidas para mitigar crescentes riscos na segurança das cargas. E, como não poderia deixar de ser, pesquisa quanto aos resultados da empresa na Intermodal para aqueles que participaram.


Bruna Gomes, diretora comercial da DSV, afirmou que a rede em mais de 90 países permite à operadora antecipar riscos geopolíticos, como conflitos no Oriente Médio, com planos de ação prontos semanas antes de crises. Na Intermodal South America 2026, ela enfatizou parcerias com clientes para lidar com infraestrutura portuária saturada e crescimento de importações acima de 20% ao ano. A abordagem inclui múltiplos planos de escoamento e conformidade OEA para mitigar riscos como roubo de cargas.

Gomes destacou que informações diretas de equipes locais, sem intermediários, são o diferencial da DSV para ajustes rápidos em rotas afetadas por tensões globais. No Brasil, com importações e exportações em alta, próximas a 30% em alguns segmentos, portos como Santos enfrentam limites em terminais e estradas. Soluções passam por pré-stacking com custos transparentes e opções alternativas como Paranaguá, Rio de Janeiro, Suape e Pecém, onde estruturas avançam mais rápido.

A executiva criticou a lentidão da infraestrutura frente ao boom de investimentos na América Latina. Analistas da DSV acompanham operações do booking ao faturamento, permitindo visibilidade total e sugestões personalizadas. "O navio não é de borracha", exemplificou, citando o diretor Latam de FCL, Rodrigo Costa.

A DSV mantém metas agressivas de zero emissão de CO2 até 2050, com relatórios trimestrais globais e equipes dedicadas cobrando armadores por combustíveis verdes. No Brasil, frota híbrida ou elétrica, controle de energia em escritórios e passagens aéreas otimizadas integram o dia a dia, sem repasse automático de custos aos clientes. Inteligência artificial avança em projetos locais, como padronização de cotações, com ferramentas próprias para compliance rigoroso pós-fusões.

A integração da Schenker, marca centenária, segue o histórico de aquisições da DSV, priorizando o melhor de cada cultura. Gomes, com 12 anos na casa desde a UTI, vê equipes enxutas e colaborativas, com board multicultural. Crescimento foca estabilidade financeira global, parcerias consultivas e múltiplos planos para riscos como roubo de cargas, coberto por seguros próprios e homologação OEA de transportadoras.

Nearshoring e power shoring, impulsionados por data centers no Ceará e energia renovável, demandam redes como a da DSV, com times em Fortaleza, Manaus e Salvador. Clientes setoriais pressionam mais que operadores por investimentos públicos, segundo a executiva.

A logística segue como elo fraco da cadeia, volátil ante choques globais. Gomes reforça: clareza, responsabilidade e soluções conjuntas definem o futuro, com a DSV posicionada para capturar oportunidades em um Brasil desafiador.



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