FedEx mira carbono neutro até 2040 com operação brasileira em foco

O Guia Marítimo, idealizador da Intermodal South America, como de hábito, promoveu nova rodada de entrevistas com líderes do setor. O objetivo é avaliar o humor do mercado em relação aos problemas geopolíticos, sobrecarga da infraestrutura, em risco de colapso, metas ESG, inovação e medidas para mitigar crescentes riscos na segurança das cargas. E, como não poderia deixar de ser, pesquisa quanto aos resultados da empresa na Intermodal para aqueles que participaram.


Em entrevista ao Guia Marítimo, Gabriel Kayser, diretor de Customer Experience da FedEx no Brasil e de Marketing para Brasil e região Andina/Cone Sul, afirmou que a companhia trabalha para ampliar a integração logística no país por meio de uma rede global conectada a mais de 220 países e territórios. A estratégia combina flexibilidade operacional, diversificação de modais e uso de dados para sustentar cadeias de suprimentos mais resilientes.

No Brasil, a operação reúne transporte internacional e soluções de supply chain em uma malha que integra os modais aéreo, rodoviário e fluvial. Segundo a empresa, a presença de infraestrutura distribuída de norte a sul do país ajuda a elevar a eficiência operacional e a responder às limitações históricas da logística nacional.

A FedEx vem ampliando o uso de automação, inteligência artificial e análise de dados para apoiar a tomada de decisão logística. A companhia afirma que o grande volume de pacotes movimentados em sua rede gera informações que servem como base para otimização de rotas, previsão de demanda e aumento da visibilidade das remessas quase em tempo real.

Esse movimento acompanha uma tendência cada vez mais presente no setor: transformar dados operacionais em ferramenta para reduzir gargalos, melhorar previsibilidade e aumentar a eficiência em um ambiente de custos pressionados e margens apertadas.

A empresa também destacou a segurança como pilar central da operação no país. Para isso, utiliza monitoramento em tempo real, inteligência artificial aplicada à prevenção de riscos e centros dedicados de controle, com foco na proteção de cargas, veículos e colaboradores.

Na prática, a combinação entre tecnologia e gestão preventiva busca reduzir exposições operacionais e dar mais estabilidade a uma cadeia logística que convive com variáveis de risco cada vez mais complexas.

Na agenda ambiental, a FedEx mantém a meta global de alcançar operações neutras em carbono até 2040. A estratégia da companhia se apoia em três frentes: descarbonização do que já é possível, cocriação com stakeholders para desenvolver soluções futuras e compensação das emissões remanescentes com créditos de carbono de alta qualidade e durabilidade.

A aviação segue como a maior oportunidade e também o maior desafio tecnológico dessa transição. Em 2025, a empresa iniciou o uso de combustível sustentável de aviação em cinco aeroportos dos Estados Unidos, incluindo o hub de Miami, que atende a América Latina e o Caribe. A modernização da frota aérea e iniciativas de eficiência no consumo também integram o plano.

A companhia avalia que o Brasil tem características favoráveis para avançar em descarbonização, especialmente pela forte presença de fontes renováveis em sua matriz energética. Ainda assim, a adaptação das soluções ao contexto local continua sendo decisiva para que as iniciativas ganhem escala e relevância operacional.

Na Intermodal South America, a FedEx apresentou essa combinação de conectividade global, tecnologia, segurança e sustentabilidade como parte de sua estratégia no mercado brasileiro. O movimento reforça a disputa por operações mais eficientes em um setor em que integração logística e inteligência de dados passam a pesar tanto quanto a capacidade de transporte.



Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Guia Marítimo. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.