Norcoast amplia cabotagem com nova escala em Salvador na Intermodal South America 2026
O Guia Marítimo, idealizador da Intermodal South America, como de hábito, promoveu nova rodada de entrevistas com líderes do setor. O objetivo é avaliar o humor do mercado em relação aos problemas geopolíticos, sobrecarga da infraestrutura, em risco de colapso, metas ESG, inovação e medidas para mitigar crescentes riscos na segurança das cargas. E, como não poderia deixar de ser, pesquisa quanto aos resultados da empresa na Intermodal para aqueles que participaram.
Fabiano Lorenzi, CEO da Norcoast, destacou na Intermodal South America 2026 os desafios da cabotagem brasileira, como alta no combustível marítimo por tensões geopolíticas e gargalos em portos, ao anunciar expansão para a Bahia. A empresa, que opera há dois anos, foca em eficiência operacional apesar das limitações de infraestrutura e mão de obra.
Lorenzi descreveu o impacto das restrições globais no petróleo como um "susto" para o setor. O combustível marítimo, essencial para a cabotagem, disparou, e esse custo não é totalmente repassado aos clientes. "O mercado absorve só parte do aumento", diz ele, forçando adaptações rápidas. Apesar disso, a cabotagem segue 90% mais eficiente que o rodoviarismo de longa distância, segundo estudos internos da Norcoast.
A transição para biocombustíveis surge como solução viável a médio prazo, especialmente no Brasil, mas mudanças tecnológicas em embarcações demandam tempo e capital. Empresas como a Norcoast, com frota média de 10 anos, preveem convívio prolongado com os atuais desafios energéticos.
Portos no limite de capacidade geram ineficiências em escalas, com janelas de atracação insuficientes que encarecem operações. Lorenzi defende tratamento diferenciado para cabotagem, como retroportuários segregados, para competir com o rodoviarismo, que domina 68% da matriz de cargas contra 1% do modal marítimo interno.
A escassez de mão de obra qualificada é outro entrave: jovens formados em centros como o CIAGA preferem óleo e gás. A ABAC estuda programas de capacitação com apoio de armadores para criar pipeline de profissionais, garantindo suporte ao expansão projetada.
Pressões por metas ESG pressionam a cabotagem, mas Lorenzi critica a falta de incentivos para migração de cargas rodoviárias, que reduziria emissões sistemicamente. Créditos de carbono para quem transfere volumes poderiam equilibrar o jogo, mas demandam regras novas.
No campo digital, monitoramento remoto via APIs já ocorre, mas IA ainda patina no setor: "Todo mundo fala que entende, mas ninguém entende", resume o CEO. Riscos zero com crime organizado reforçam atrativos da cabotagem para cargas de alto risco, como eletrônicos.
Na terceira Intermodal consecutiva, a Norcoast anunciou escala em Salvador a partir de maio, mirando bens de consumo do Sul/Sudeste para Nordeste e conexões com longo curso. Crescimento de dois dígitos no primeiro tri reforça otimismo, com foco em consolidação comercial e operacional.
Nearshoring e power shoring, impulsionados pela reeleição de Trump, abrem oportunidades logísticas no Brasil, mas a empresa prioriza bases: custos voláteis e infraestrutura. "Logística vive de ineficiência", ironiza Lorenzi, prevendo entrada desses temas na agenda conforme consolidação avança.
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