Log-In vê cabotagem como resposta a custos altos, gargalos logísticos e transição energética

O Guia Marítimo, idealizador da Intermodal South America, como de hábito, promoveu nova rodada de entrevistas com líderes do setor. O objetivo é avaliar o humor do mercado em relação aos problemas geopolíticos, sobrecarga da infraestrutura, em risco de colapso, metas ESG, inovação e medidas para mitigar crescentes riscos na segurança das cargas. E, como não poderia deixar de ser, pesquisa quanto aos resultados da empresa na Intermodal para aqueles que participaram.


A Log-In avalia que a combinação entre volatilidade geopolítica, custo elevado do bunker, limitações de infraestrutura e pressão por descarbonização está redesenhando a logística no Brasil. Em entrevista durante a Intermodal South America 2026, o presidente da companhia, Marcus Voloch, defendeu que eficiência operacional, integração multimodal e planejamento de longo prazo deixaram de ser diferenciais e passaram a ser condições para manter competitividade.

Voloch destacou que o aumento recente do custo do combustível marítimo, o bunker, pressiona de forma imediata as operações de navegação. Segundo ele, o insumo é comprado a preço internacional e à vista, enquanto o repasse para o mercado ocorre com defasagem, o que afeta o resultado das empresas no curto prazo. Nesse cenário, a resposta depende de disciplina operacional e capacidade de adaptação.

Na visão do executivo, a Log-In tem buscado enfrentar esse ambiente com integração logística e planejamento de longo prazo. A estratégia, afirmou, é sustentar previsibilidade em um mercado mais volátil, no qual eficiência operacional e visão sistêmica se tornam fundamentais para preservar competitividade.

Outro ponto central da entrevista foi a infraestrutura. Voloch afirmou que a limitação física dos portos brasileiros já faz parte do cenário logístico há alguns anos e afeta diretamente a eficiência das operações. Em muitos terminais, disse ele, o nível de ocupação é elevado e as restrições de atracação são frequentes, o que reduz flexibilidade, amplia o risco de atrasos e impõe limites ao crescimento da cabotagem.

Para o executivo, sem expansão da infraestrutura, a cabotagem não cresce no ritmo da demanda. Ele observou que aumento de frequência, expansão de rotas e oferta de capacidade dependem da disponibilidade física dos terminais. Quando essa estrutura não acompanha o volume movimentado, a restrição deixa de ser comercial e passa a ser operacional.

Nesse contexto, a companhia tem concentrado esforços em otimizar o uso dos ativos, organizar escalas e integrar modais. A leitura da empresa é que essa combinação melhora a previsibilidade e reduz pressão sobre o transporte rodoviário, mas não substitui a necessidade de novos investimentos em infraestrutura.

A agenda ambiental também ganhou espaço na entrevista. Voloch afirmou que a cabotagem já nasce com menor intensidade de emissões em relação ao transporte rodoviário. Segundo ele, um navio da Log-In transporta o equivalente a cerca de 2.000 caminhões e pode emitir aproximadamente um quinto do CO₂, na comparação com a mesma carga deslocada por rodovia.

O executivo disse ainda que a descarbonização no setor passa прежде de tudo por eficiência operacional. Rotas mais regulares e previsíveis ajudam a reduzir ajustes de velocidade e melhoram o consumo de combustível. Além disso, o ganho de escala dilui impactos operacionais e aumenta a eficiência por unidade transportada.

A empresa também aposta em ferramentas para apoiar decisões de embarcadores. Entre elas, está uma calculadora de CO₂ que estima emissões evitadas e compara alternativas logísticas com base em metodologia alinhada ao GHG Protocol e às diretrizes do IPCC. Voloch lembrou que, em 2025, a companhia obteve nota B no CDP Climate Change e conquistou o Selo Prata do Pacto pela Sustentabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos.

Na frente tecnológica, o presidente da Log-In afirmou que o setor vive uma transformação profunda com o uso de dados, automação e inteligência artificial. Para ele, tecnologia não é mais um recurso acessório, mas um elemento que sustenta eficiência e previsibilidade em uma atividade intensiva em ativos e sensível a custos.

A companhia diz ter avançado na digitalização de processos e na modernização das operações com foco em confiabilidade e desempenho. O objetivo, segundo Voloch, é tomar decisões melhores, com mais rapidez e menos variabilidade, reforçando a meta de tornar a empresa mais simples de fazer negócios.

Segurança operacional também apareceu como tema central. Voloch afirmou que a cabotagem, por sua própria natureza, reduz a exposição a roubos em comparação com outros modais, embora o risco zero não exista. Por isso, a Log-In tem investido em monitoramento e gestão integrada das operações.

Entre os instrumentos citados está a torre de controle logística, usada para acompanhar operações em tempo real e reagir rapidamente a desvios. “Mais visibilidade significa menos surpresa”, resumiu o executivo, ao defender que a segurança depende de acompanhamento contínuo e capacidade de resposta.

Ao tratar do cenário macroeconômico, Voloch avaliou que o Brasil reúne recursos naturais, capacidade produtiva e potencial logístico relevantes em um momento de reorganização das cadeias globais e transição energética. Na leitura dele, essa combinação pode atrair investimentos e ampliar a presença do país em novos mercados, desde que haja infraestrutura eficiente, previsibilidade regulatória e logística competitiva.

Sobre a transição energética, o executivo afirmou que o processo é de longo prazo e exige decisões baseadas em critérios técnicos e econômicos. No cenário internacional, especialmente na Europa, o gás natural liquefeito ganhou espaço como alternativa de transição, amparado por infraestrutura e políticas específicas. No Brasil, porém, ele avaliou que a realidade é distinta, com disponibilidade limitada de gás natural e necessidade de investimentos elevados para adaptação da frota.

Por isso, a empresa vê os biocombustíveis como a alternativa com maior potencial de avanço no país, principalmente pela escala de produção já existente e pela possibilidade de incorporação gradual às operações. Segundo Voloch, a expansão dessa frente depende do desenvolvimento da cadeia produtiva e do amadurecimento do ambiente regulatório.

Na Intermodal 2026, a Log-In também procurou mostrar como a integração entre transporte marítimo, operação portuária, distribuição terrestre e gestão integrada das operações pode ampliar escala, eficiência e previsibilidade. A empresa destacou ainda a expansão da presença logística em regiões estratégicas, com foco no Norte do país, e a modernização contínua do Terminal de Vila Velha.

A mensagem deixada pela companhia na feira é que, em um ambiente de custos pressionados e maior demanda por capacidade, eficiência, integração e previsibilidade deixam de ser discurso e passam a ser base de sobrevivência competitiva. No caso da cabotagem, o desafio já não é apenas transportar mais, mas fazer isso com infraestrutura, tecnologia e disciplina operacional suficientes para sustentar crescimento.





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