Freight forwarders ganham força com geopolítica, avalia executivo da DC Logistics Brasil
O Guia Marítimo, idealizador da Intermodal South America, como de hábito, promoveu nova rodada de entrevistas com líderes do setor. O objetivo é avaliar o humor do mercado em relação aos problemas geopolíticos, sobrecarga da infraestrutura, em risco de colapso, metas ESG, inovação e medidas para mitigar crescentes riscos na segurança das cargas. E, como não poderia deixar de ser, pesquisa quanto aos resultados da empresa na Intermodal para aqueles que participaram.
A DC Logistics Brasil enxerga as turbulências geopolíticas e gargalos na infraestrutura como terreno fértil para freight forwarders, que ganham relevância em cenários imprevisíveis. Guilherme Mafra, Corporate Strategy Manager do grupo, afirmou isso em entrevista durante a Intermodal South America 2026.
Mafra destaca que, em mercados estáveis, as empresas optam por contratos diretos com armadoras. Já em tempos de instabilidade como os atuais conflitos globais e limites em portos e rodovias, os intermediários se tornam essenciais para gerenciar imprevistos. "Quanto mais incerto o mercado, mais necessário somos", resumiu. A estratégia passa por parcerias com terminais e transportadoras para antecipar gargalos, como atrasos em gates ou detention de contêineres, inclusive com pré-stacking proativo na exportação. Além disso, a DC empresa prioriza a experiência do cliente.
A otimização interna libera tempo para o atendimento. Após três aquisições recentes, o grupo familiar e com quatro empresas, mira 7% de market share até 2027, sem novas compras no horizonte. O plano estratégico, traçado desde 2016, avança para uma fase de customer centricity, com conselho administrativo e automações para manter o foco no cliente.
A pegada de carbono segue reportada em todas as operações, via metodologia GLEC, disponível em cotações, faturas e portal do cliente. Ainda assim, soluções premium com compensação não decolam. "O mercado quer controlar emissões para o futuro, mas não paga mais por isso agora", observou Mafra. Hidrogênio verde ganha tração com a matriz limpa brasileira, mas regulamentações e guerras como a da Ucrânia e agora Irã, freiam avanços rápidos.
Cinco projetos de inteligência artificial rodam internamente: reconhecimento de documentos e faturas, previsão de vendas. Verticalizados por desenvolvedores próprios, sem terceirizações, integram-se a um incentivo amplo ao uso de ferramentas como IA pela linha de frente. No compliance, programa OEA e qualificação rigorosa de fornecedores blindam contra crime organizado, com denúncias regulares à Receita e bloqueios proativos, sem fraudes registradas até aqui.
Segundo maior freight forwarder em import/export marítima no Brasil, à frente de vários grandes players globais, independência permite flexibilidade em parceiros locais, ao contrário de bandeiras únicas. Nearshoring e mudanças de rotas geopolíticas são monitoradas na carteira pulverizada, mas sem estratégias preditivas. "Somos agregadores de pequenas demandas, local heroes", definiu Mafra, descartando internacionalização imediata.
O otimismo de Mafra reflete um setor que terceiriza mais logística, mas encolhe em armadoras e NVOCCs. Com grandes players expandindo, a DC aposta na nicho de PMEs que buscam agilidade sem base loads globais. O impacto deve se desenhar até 2027, quando o target de share define o próximo ciclo.
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