Portonave lidera produtividade e investe R$ 2 bi para driblar gargalos de SC


O Guia Marítimo, idealizador da Intermodal South America, como de hábito, promoveu nova rodada de entrevistas com líderes do setor. O objetivo é avaliar o humor do mercado em relação aos problemas geopolíticos, sobrecarga da infraestrutura, em risco de colapso, metas ESG, inovação e medidas para mitigar crescentes riscos na segurança das cargas. E, como não poderia deixar de ser, pesquisa quanto aos resultados da empresa na Intermodal para aqueles que participaram.


A cada minuto parado em porto ou estrada, milhões evaporam em frete atrasado e produção travada. Nesse ritmo implacável, a Portonave se destaca como o terminal privado de contêineres mais produtivo do Brasil, cravando 114 Movimentos por Hora (MPH) segundo a ANTAQ, e quarto maior em contêineres cheios em 2025, pelo Datamar. Em entrevista ao Guia Marítimo, Osmari de Castilho Ribas, diretor‑superintendente administrativo, revela um plano de R$ 2 bilhões para cais de 17 m e navios de 400 m, STS e RTGs elétricos, mas cobra dragagem urgente em Itajaí e Navegantes, melhorias na BR‑470/101 e ferrovias para evitar o colapso logístico de Santa Catarina.

Acompanhar o cenário global é vital para atender armadores e clientes com eficiência, enfatiza Ribas. “Cada minuto conta, e esse é nosso diferencial”, diz o executivo, que recebe 2 mil motoristas por dia em um terminal saturado pelo rodoviário, 69% do fluxo, segundo a FIESC. Para escalar, o aporte bilionário adequa o cais (72% concluído) a profundidade de 17 m e comprimento de 400 m, com dois Ship‑to‑Shore (STS) de grande porte e 18 Rubber Tyred Gantry (RTG) elétricos chegando no segundo semestre de 2026, elevando a capacidade para 2 milhões de TEUs/ano.

O otimismo, porém, trava no canal de acesso ao complexo Itajaí e Navegantes, limitado a navios de 350 m e 51 m de boca. Ribas pressiona por aprofundamento, alargamento dos molhes e dragagem constante no rio Itajaí‑açu, além de duplicações na BR‑470 e BR‑101, artérias vitais que definem o destino de cargas do Sul do país. Sem ferrovias para diversificar os 69% rodoviários, o risco de apagão logístico paira sobre SC, alerta o diretor.

Na descarbonização, a Portonave avança com frota 100% elétrica até 2030. Desde 2016, 14 RTGs eletrificados cortaram 96,5% das emissões desses equipamentos; até o fim do ano, serão 32. A estreia da primeira empilhadeira elétrica comprada no Brasil, em 2025, zerou CO₂, NOx e SOx diretamente. O cais modernizado pavimenta o shore power inédito no país, eliminando emissões de navios atracados e alinhando o terminal à corrida global por portos verdes.

Além de hardware, a Portonave investe em gente e tecnologia. O Centro de Desenvolvimento de Excelência Operacional, o mais avançado da América do Sul, capacitará 300 profissionais ao ano com quatro simuladores para STS, RTG, Reach Stacker e mais. Na segurança, quatro scanners e treinamento da Receita Federal capacitam a equipe a flagrar falsificações, blindando a cadeia contra riscos crescentes.

Equipamentos elétricos blindam contra oscilações de combustível, e o shore power futuro corta emissões ociosas. Ribas mantém o olhar no longo prazo: “Estamos atentos aos investimentos para um setor sustentável”, em sintonia com a pressão por terminais carbono‑neutro.

Na Intermodal 2026, 750 visitantes lotaram o estande para discutir o plano bilionário, o Centro de Excelência em fase final e os R$ 439 milhões em equipamentos elétricos. “Essas iniciativas elevam capacidade, eficiência, segurança e sustentabilidade”, resume Ribas, mas o sucesso depende de obras públicas para destravar SC.

Líder com 114 MPH, a Portonave usa R$ 2 bilhões para crescer, mas sem dragagem, rodovias e trilhos, seu diferencial pode sucumbir aos gargalos regionais, um alerta para quem depende do fluxo contínuo de contêineres no Sul.



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