MOL e Vale fecham contrato de 25 anos para navios com etanol

Contrato prevê dois minereiros de 210 mil toneladas com motor tricombustível, que opera com etanol, metanol e óleo combustível, entregues em 2030

A Mitsui O.S.K. Lines (MOL) assinou, por meio da MOL Ocean Bulk, contrato de 25 anos com a Vale International, subsidiária da Vale, para o transporte de minério de ferro em dois navios com motor tricombustível. A propulsão pode operar com etanol, metanol e óleo combustível pesado. Segundo a empresa, serão os primeiros minereiros de 210 mil toneladas do mundo com essa configuração, com entrega prevista para 2030.

A MOL Ocean Bulk, com sede em Singapura, é a empresa que opera o negócio de graneleiros Capesize do grupo fora do Japão. Os dois navios atuarão principalmente no transporte transoceânico do minério da Vale, dentro da estratégia de descarbonização da frota que a mineradora mantém para o seu transporte marítimo.

Além do motor tricombustível, as embarcações terão projeto preparado para uso futuro de GNL ou amônia e contarão com tecnologias de eficiência energética disponíveis para a nova geração de navios. A ideia, segundo a MOL, é dar flexibilidade na escolha do combustível conforme a disponibilidade, o ganho de descarbonização e a viabilidade econômica de cada alternativa.

Sobre o etanol, a MOL afirma que ele pode reduzir as emissões de carbono em até cerca de 90% em relação ao óleo combustível pesado, considerando o ciclo de vida completo, da produção ao consumo. A companhia também destaca que a facilidade de manuseio do combustível tende a favorecer sua adoção mais ampla no uso marítimo.

O contrato também tem efeito sobre o chamado escopo 3 da Vale, que reúne as emissões geradas na cadeia de valor e não nas operações diretas da empresa. Para a MOL, a operação dos navios ajuda a reduzir esse indicador no transporte marítimo da mineradora e contribui para as metas do grupo, que busca emissões líquidas zero de gases de efeito estufa até 2050, dentro da visão ambiental BLUE ACTION 2035 Phase 2.

Fora da operação dos navios, o grupo diz que trabalhará com clientes e parceiros ao longo de toda a cadeia de suprimento de etanol e metanol, da compra ao fornecimento e ao abastecimento. O comunicado não informa de onde virá o combustível, em quais portos o abastecimento será feito, nem detalha estaleiro, fabricante do motor ou valor do contrato.

O anúncio chega meses depois de o Porto de Santos registrar o primeiro abastecimento de um navio porta-contêineres com etanol no Brasil, em julho, e reforça o interesse de armadores e grandes embarcadores por combustíveis renováveis na navegação de longo curso. Para o setor, os pontos a acompanhar até 2030 são a estruturação da oferta e da infraestrutura de abastecimento desses combustíveis e a definição de quais portos e produtores entrarão na cadeia.



Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Guia Marítimo. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.