Transição energética: mercado global de aços elétricos deve dobrar de tamanho em 10 anos
Na era dos veículos elétricos, material é essencial para reduzir consumo de energia e aumentar a eficiência de máquinas e motores
Calcula-se que 50% da energia elétrica produzida por ano no mundo é consumida por motores, e que 3% dessa energia se esvai em perdas magnéticas. A estimativa é do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), segundo o qual evitar esse desperdício pode fazer a diferença nos custos da indústria e no combate ao aquecimento global.
Os aços elétricos têm sido fundamentais nessa transição por maior eficiência energética dos equipamentos. É um segmento da siderurgia que cresce acima da média do setor, especialmente por estar cada vez mais demandado também nos motores dos carros elétricos. Estimativas feitas pelo Instituto Future Market Insights indicam que esse mercado movimentou US$ 37,5 bilhões no mundo em 2022, devendo praticamente dobrar, para US$ 70,5 bilhões, até 2032.
"Hoje as geladeiras, aparelhos de ar condicionado e motores são mais eficientes graças, entre outros fatores, a aços elétricos cada vez mais avançados que estão em seus núcleos”, afirma o diretor-presidente da Aperam South America, Frederico Ayres Lima. Segundo ele, a empresa, líder no segmento na América Latina, vem se preparando há algum tempo para ser o fornecedor de referência nas diversas aplicações possíveis desses aços, inclusive veículos elétricos. ”Estamos prontos para atender a esse mercado potencial”, afirma Ayres Lima.
Os aços elétricos são aqueles que por sua composição química e outras propriedades, reduzem a perda magnética, sendo aplicados em máquinas estáticas ou rotativas que trabalham com campos eletromagnéticos, como transformadores e motores.
Ayres Lima explica que a Aperam fabrica duas famílias de aços elétricos - os de grão orientado, chamados de GO, e os de grão não orientado, ou GNO. E, mais recentemente, o HGO - aço elétrico de grão superorientado, sigla de High Permeability Grain Oriented Steel. Ele é uma evolução do GO. São aços de alto desempenho que equipam transformadores e reatores de potência.
O outro é o grupo dos aços elétricos chamados de grão não orientado (GNO), utilizados em motores, compressores e geradores.
Os aços elétricos de alta performance da Aperam foram desenvolvidos no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa, em Timóteo (MG), onde é produzido o Aço Verde Aperam. A unidade mantém parcerias com as principais universidades brasileiras.
A preocupação com a inovação é a mesma na Aperam BioEnergia, unidade do grupo no Vale do Jequitinhonha, dedicada ao plantio de florestas renováveis e produção de carvão vegetal que abastece a usina de Timóteo (MG).
"A inovabilidade está no centro da nossa estratégia. Significa colocar a inovação à serviço da sustentabilidade. É a capacidade de desenvolvermos, ao longo dos anos, boas práticas que nos mantenham vivos e competitivos no mercado, conectados num mundo em rede, que muda cada vez mais depressa", afirma Frederico Ayres Lima.
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