MRS reforça multimodalidade e descarbonização na Intermodal South America 2026
O Guia Marítimo, idealizador da Intermodal South America, como de hábito, promoveu nova rodada de entrevistas com líderes do setor. O objetivo é avaliar o humor do mercado em relação aos problemas geopolíticos, sobrecarga da infraestrutura, em risco de colapso, metas ESG, inovação e medidas para mitigar crescentes riscos na segurança das cargas. E, como não poderia deixar de ser, pesquisa quanto aos resultados da empresa na Intermodal para aqueles que participaram.
A MRS Logística apresentou na Intermodal South America 2026 sua estratégia para enfrentar desafios geopolíticos e demandas por sustentabilidade no transporte de cargas. Em entrevista ao Guia Marítimo, Marcelo Jesus, gerente geral de negócios da empresa, detalhou como a companhia ajusta operações com foco em resiliência, diversificação de cargas e integração multimodal.
A malha ferroviária ganha flexibilidade para responder a mudanças nos fluxos comerciais globais, com ênfase na proximidade com clientes estratégicos e capacidade de adaptação rápida. Isso garante continuidade mesmo em cenários de instabilidade nas cadeias de suprimento.
A empresa monitora de perto impactos geopolíticos sobre o comércio internacional, ajustando sua operação para manter eficiência. Jesus destacou a pressão sobre infraestrutura portuária, aeroportuária e de transporte interno, que opera no limite de capacidade em diversos pontos do país.
A resposta passa pela multimodalidade, combinando ferrovia com outros modais para otimizar fluxos. A companhia também reforça parcerias com órgãos públicos e usa tecnologias de monitoramento para mitigar riscos de segurança, como ações do crime organizado.
A MRS assumiu o compromisso de cortar 15% na intensidade de emissões até 2035, usando 2022 como ano-base. O progresso ocorre mesmo com aumento no volume transportado, graças a iniciativas como eficiência energética e substituição de locomotivas antigas por modelos mais modernos.
Testes com locomotiva a baterias e circulação temporária de equipamento elétrico geram dados para futuros projetos de eletrificação. A empresa avalia biocombustíveis e outras soluções, mas reconhece a complexidade desses investimentos, que demandam prazos alongados.
Um Escritório de Inteligência Artificial estrutura o uso da tecnologia na companhia, definindo governança e critérios éticos. A IA já aparece na inspeção de vias com drones e câmeras inteligentes, além do Sistema Integrado de Gestão de Ativos (SIGA), que orienta manutenção preventiva por dados.
O estande da MRS na Intermodal South America 2026 trouxe como destaque a integração de hidrovias ao transporte ferroviário, conectando o Porto de Santos ao Centro-Oeste, polo produtor de grãos. A solução multimodal reduz emissões em comparação ao rodoviário e amplia eficiência no escoamento.
A parceria com a DP World também evolui, viabilizando contêineres entre interior paulista, Centro-Oeste e Santos. Cargas como feijão, açúcar, gergelim e algodão já circulam nessa rota, com benefícios em previsibilidade e menor dependência de caminhões.
O Brasil surge bem posicionado para combustíveis alternativos e nearshoring, segundo a visão da MRS, apoiado por políticas como RenovaBio. A companhia busca se inserir nessa transição, priorizando modais de baixa emissão e eficiência energética.
Os próximos passos envolvem aprofundar estudos com fornecedores e maturar tecnologias testadas, enquanto o mercado logístico acompanha a pressão por cadeias mais sustentáveis.
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