Maersk e Hapag-Lloyd retomam trânsito pelo Suez em duas rotas da aliança Gemini

O armador Maersk, em conjunto com a Hapag-Lloyd, anunciou a transferência das rotas AE19 e AE15, operadas pela aliança Gemini, de volta ao trânsito pelo Canal de Suez. A decisão foi tomada após reavaliação da situação de segurança na região do Mar Vermelho e passa a valer imediatamente para os dois serviços.

Segundo o armador, a mudança representa um movimento pontual e não indica uma retomada ampla da rede Ásia-Europa pelo corredor egípcio. A maior parte dos serviços do Gemini continua operando pela rota alternativa via Cabo da Boa Esperança, adotada desde o agravamento dos ataques a embarcações comerciais na região em 2024. Novas atualizações sobre o uso do Suez devem ser comunicadas conforme a evolução do cenário, classificado pelo armador como imprevisível, com prioridade para a segurança de tripulações, ativos e cargas de clientes.

Paralelamente à questão do Mar Vermelho, a temporada de tufões de 2026 no Leste Asiático já registra atividade acima da média, com diversos eventos severos atingindo a região em um intervalo de duas semanas. Os impactos incluem alagamentos, congestionamento portuário e atrasos operacionais que se propagam pela rede de transporte marítimo, afetando também escalas na Europa. Equipes comerciais do armador afirmam estar trabalhando para manter flexibilidade no planejamento de cargas entre Ásia e Europa diante desse cenário.

A operação na região também deve sentir os efeitos da Golden Week chinesa, feriado nacional previsto para a primeira semana de outubro, período historicamente marcado por redução de força de trabalho e fechamento de fábricas no país, com reflexos diretos em cronogramas de produção e logística. A Maersk informou que fará ajustes de balanceamento na rede Ásia-Europa para minimizar a disrupção causada pelo feriado.

No lado portuário europeu, ações trabalhistas recentes em terminais alemães têm ampliado a pressão operacional já existente no norte do continente, com reflexos nas conexões de Hamburgo, Bremerhaven e Wilhelmshaven. O armador afirma acompanhar de perto a situação e manter clientes informados sobre eventuais alterações de cronograma e planos de contingência. Já na Bélgica, terminais que enfrentavam tempos de espera elevados por escassez de práticos retomaram operação normal, com o retorno do quadro regular de profissionais.

O congestionamento segue impactando os principais portos do norte da Europa e do Mediterrâneo, enquanto forte demanda e restrições operacionais também pressionam a disponibilidade de capacidade em diversos serviços. Diante desse cenário, o armador recomenda que clientes antecipem reservas, forneçam previsões de carga e documentação precisas, e retirem contêineres de importação com agilidade, medidas que ajudam a preservar a fluidez nos terminais.

A combinação desses fatores, segurança no Mar Vermelho, clima no Leste Asiático, feriado chinês e instabilidade trabalhista na Europa, deve manter a rede Ásia-Europa sob pressão nas próximas semanas. O retorno mais amplo ao Canal de Suez segue condicionado à evolução da segurança na região, sem prazo definido pelos armadores envolvidos.




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