Porto de Santos terá dois novos berços para granéis líquidos na Alemoa

Consórcio formado por Ultracargo, Stolthaven Terminals, Granel Química e Vopak assinou contrato com a APS. As obras estão previstas para 2027

Um consórcio formado por Ultracargo, Stolthaven Terminals, Granel Química e Vopak assinou contrato com a Autoridade Portuária de Santos (APS) para construir dois novos berços públicos na região da Alemoa, na Zona Noroeste do Porto de Santos. As obras estão previstas para começar em 2027. O projeto busca ampliar a capacidade e a eficiência da infraestrutura destinada à movimentação de granéis líquidos no maior porto da América Latina.

Os berços ampliarão as alternativas de atracação no complexo e permitirão receber navios de até 70 mil toneladas de porte bruto (DWT, na sigla em inglês). A expectativa é dar mais escala às operações, aumentar a previsibilidade logística e reforçar a competitividade na movimentação de combustíveis e produtos químicos.

O projeto prevê o aprofundamento do canal para 14 metros, etapa considerada fundamental para a chegada de embarcações maiores e mais carregadas, com capacidade cerca de 17% superior ao limite atual. Na prática, o ganho de escala pode reduzir a necessidade de viagens fracionadas e ampliar a tonelagem movimentada por atracação.

Em terra, a nova estrutura também deve melhorar o aproveitamento dos ativos. Com mais opções de atracação e navios de maior porte, as operações tendem a ganhar agilidade, o que favorece o giro dos tanques e a produtividade do complexo da Alemoa.

Somados, os ganhos previstos devem adicionar aproximadamente 3 milhões de toneladas por ano à movimentação de granéis líquidos na região.

Outro benefício esperado é a redução dos períodos de espera para atracação. Em momentos de maior demanda, embarcações podem permanecer alguns dias aguardando disponibilidade nos berços da Alemoa. A ampliação da infraestrutura tende a dar mais flexibilidade e previsibilidade às empresas que dependem do complexo para movimentar combustíveis e produtos químicos.

O consórcio afirma que se trata de um investimento em infraestrutura estratégica para o país. Segundo o grupo, o Porto de Santos ocupa posição central na logística brasileira, e iniciativas como essa ajudam a preparar o complexo para as demandas futuras, com mais eficiência, segurança e competitividade.

A intervenção terá de ser feita com o porto em plena atividade. A construção ocorrerá enquanto as operações existentes continuam em funcionamento, o que exigirá planejamento e coordenação para preservar a segurança e a continuidade dos serviços na Alemoa. Outra frente de atenção é a disponibilidade de equipamentos de dragagem, diante do volume de projetos de infraestrutura portuária em desenvolvimento no país.

Para as quatro empresas, o investimento acompanha a evolução da logística brasileira, em que a transformação das cadeias de abastecimento exige portos preparados para operar com mais escala, eficiência e integração. As companhias defendem que a infraestrutura portuária seja pensada de forma antecipada, para acompanhar o desenvolvimento da economia e as necessidades futuras dos clientes.

O consórcio está na fase de discussões técnicas sobre a engenharia e o cronograma macro do empreendimento. A expectativa é que os novos berços fortaleçam a Alemoa como um dos principais polos de granéis líquidos da América Latina e contribuam para ampliar a competitividade do sistema portuário brasileiro.



Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Guia Marítimo. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.