Porto do Açu realiza primeira importação de enxofre e mira hub do insumo no Brasil

O Porto do Açu, no norte do estado do Rio de Janeiro, realizou na primeira semana de setembro sua primeira operação de importação de enxofre, insumo utilizado na cadeia produtiva de fertilizantes agrícolas. Foram desembarcadas 1500 toneladas do granel sólido, originárias dos Estados Unidos e destinadas ao abastecimento do mercado interno pela Minas Port.

A movimentação ocorre em um cenário de restrição na oferta global do insumo, associada a instabilidades na navegação pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 30% do transporte marítimo mundial de enxofre. O Brasil importa mais de 90% do enxofre que consome, o que torna o país sensível a oscilações nesse fluxo. A matéria prima é utilizada na fabricação de ácido sulfúrico, insumo do processamento da rocha fosfática para obtenção de ácido fosfórico, componente essencial dos fertilizantes fosfatados.

Segundo Eugenio Figueiredo, CEO do Porto do Açu, a operação integra a estratégia de crescimento do complexo no segmento do agronegócio, que já opera como rota logística tanto para importação de fertilizantes quanto para exportação de grãos. Após o desembarque no terminal T-Mult, a carga de enxofre seguiu para as instalações da Minas Port.

O Porto do Açu projeta se consolidar como hub de importação e distribuição de enxofre no país, com meta de receber 300 mil toneladas do insumo por ano, volume que corresponderia a cerca de 12% da demanda nacional anual. As próximas movimentações continuarão sendo realizadas pelo T-Mult, terminal que opera em regime de 24 horas e afirma manter baixo tempo de espera para atracação, com contratos personalizados para diferentes perfis de carga. Desde o início das operações, em 2016, o terminal já movimentou 27 tipos de cargas entre granel sólido, breakbulk e cargas de projeto.

Com uma expansão recente, a capacidade de movimentação do T-Mult deve alcançar inicialmente 2,7 milhões de toneladas por ano. O projeto incluiu a ampliação do cais operacional, que passou de 340 para 500 metros de extensão, com calado de 13,1 metros e estrutura para operar simultaneamente dois navios do tipo Panamax, cada um com capacidade para até 75 mil toneladas.

A entrada do Porto do Açu no mercado de enxofre reforça a diversificação de cargas do complexo portuário fluminense e amplia as alternativas logísticas para um insumo cuja oferta global segue pressionada, tendência que deve manter o tema em pauta no setor de fertilizantes nos próximos meses.


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