Maersk inicia transição energética e já implanta tecnologias sustentáveis no Brasil

Para cumprir as metas do Science Based Targets (Sbti) que limitam o aquecimento global a 1,5°C até 2040 e oferecer opções de logística verde em toda cadeia de suprimentos até 2030, a A.P. Moller - Maersk, começou a implantar no Brasil diferentes iniciativas de transição energética. Para reduzir a emissão de CO2 na atmosfera, o grupo tem investido na construção de um portfólio de soluções climáticas que resultará na redução de emissões em cerca de cinco milhões de toneladas de gás carbônico por ano até 2030.

“Como fornecedor global de serviços logísticos de ponta a ponta em todos os modos de transporte, é nosso objetivo estratégico estender nossa ambição de zerar a emissão de CO2 para todo o negócio. A ciência é clara, devemos agir agora para obter progressos significativos nesta década”, afirma Soren Skou, CEO da A.P. Moller - Maersk.

Energia elétrica de terra (AMP- Alternate Maritime Power) - A partir de janeiro de 2023, quatro navios da classe Explorers da Aliança, que realizam a cabotagem no Brasil, vão receber uma nova tecnologia - a instalação de equipamentos elétricos que conectam o navio a uma fonte de energia no porto, com isso, não será mais necessário manter motores à combustão ligados durante o tempo que o navio estiver atracado. “Os geradores do navio fornecem energia para os equipamentos. Com este sistema será possível desligar os motores, plugando o navio na energia de terra e com isso eliminando a emissão de CO2 pelos navios durante a operação nos portos”, explica Carlos Rocha, Gestor da Frota de Navios da Aliança. Ele adianta que embora ainda não haja nenhum terminal no Brasil que forneça essa facilidade, a Maersk entende que isso acontecerá muito em breve, e por isso já está investindo na tecnologia.

Monitoramento autônomo da concentração de CO2 dissolvido nos oceanos - A Aliança, em parceria com o Instituto GEOMAR-Kiel e Depto. de Oceonagrafia da UERJ, participará do projeto de pesquisa que monitora a absorção do CO2 pelos oceanos. Em 2022, o navio Vincente Pinzon foi aparelhado para medição autônoma de dados oceanográficos, em tempo real, incluindo a absorção do CO2 no Atlântico Sul ao longo da costa brasileira. 

APM Terminals Pecém e Suape - A meta é implantar equipamentos elétricos em todos os seus terminais do país. O Terminal de Pecém, por exemplo, já investiu, recentemente, R$150 milhões na compra de novos equipamentos, entre eles, três RTGs, guindastes de operação de contêineres no pátio. Os modelos de última geração serão os primeiros desse tipo a operar em Pecém.

Há várias vantagens de operar com RTGs como ganho de produtividade, uma vez que os guindastes andam por sobre as pilhas, facilitando o acesso a contêineres posicionados no meio das quadras, diminuindo movimentos e melhorando a logística interna do terminal. Além disso, os modelos comprados para Pecém são eletrificados e não utilizam óleo diesel. Com isso, a operação torna-se mais limpa e sustentável, com a diminuição da emissão de CO2.

Em Suape, a APM Terminals planeja investir até R$ 2,6 bilhões no novo terminal de contêineres e iniciar as operações com capacidade inicial de 400 mil TEU “A empresa também está comprometida com as metas do Sbti, e o projeto contemplará as diretrizes e compromissos ambientais, inclusive, equipamentos elétricos.” afirma Leonardo Levy, diretor de Expansão da APM Terminals no Brasil. 

Redução de CO2 - A Maersk encomendou um total de 19 embarcações com motores capazes de operar com metanol verde. No próximo ano, o primeiro navio de transporte de contêineres da Maersk movido a metanol verde e com capacidade para 2.500 TEU, vai iniciar as operações na Europa. A partir de 2024, 18 navios de grande porte - com capacidade para mais de 17 mil TEU, também passarão a navegar pelo mundo com combustível verde.

A Aliança Navegação e Logística, operadora logística brasileira pertencente ao grupo A.P. Moller-Maersk, está construindo as duas primeiras barcaças ATBs oceânicas para transporte de contêineres do Brasil. Os dois conjuntos transportarão as cargas de forma mais segura e eficiente, já que permitem o transporte simultâneo de um volume maior de carga em relação a outras embarcações e transporte terrestre. Além disso, os motores principais poderão, no futuro, ser movidos a combustíveis verdes, como metanol e etanol.



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